domingo, 18 de setembro de 2011

COMO FAZER A CAMPANHA DO QUILO.

A campanha do quilo é uma atividade cuja principal finalidade é educar. Educar no sentido espiritual, como Kardec a definiu em “O Livro dos Espíritos”. Educar no sentido de reduzir ou mesmo erradicar o egoísmo individual e coletivo.

Um das contribuições da campanha do quilo para a educação coletiva consiste no enfraquecimento do egoísmo. Quantas vezes nos deparamos com pessoas que não colaboram com os necessitados, fundamentadas em ideias sistemáticas. Entendem que não é correto ajudar. E, muitas vezes não estão dispostas a ouvir argumentos no sentido do amor e da beneficência.

Se não fosse a filosofia da campanha do quilo: “água mole em pedra dura tanto bate até que fura” nós desistiríamos de pedir a certas pessoas, ou em certas residências.

Lembro-me que, há alguns anos atrás, fazíamos campanha com Elias Sobreira. Ele sempre dirigia os trabalhos. Na época como hoje, por recomendação da Fraternidade da Campanha do Quilo realizávamos a reunião preparatória da campanha durante meia hora, em horário padrão: 8h00 às 8h30. Depois saíamos às ruas para “mendigar” uma ajuda para a Casa dos Humildes1.Essa mendicância acontecia até ás 11h00 quando retornávamos à Casa dos Humildes para contagem do dinheiro, estimação do peso dos gêneros, preenchimento da ata e prece de encerramento.

Durante a reunião preparatória, Sobreira fazia várias recomendações, dentre elas a que se deve pedir a todas as pessoas, mesmo aquelas que sabemos que não colaboram um dia; dizia Sobreira que a alma delas será tocada com a fraternidade e eles acabarão por ajudar. Não temamos os desaforos, as ofensas, quando alguém nos ofender, elevemos o pensamento a Jesus e nos afastemos em prece.

Nas ruas, nos dirigíamos muitas vezes à feira de frutas, verduras e cereais, que se localiza no bairro de Casa Amarela em Recife.

Havia um cidadão, que vendia tubérculos na feira – inhame, macaxeira (aipim, ou mandioca). Quando  nos aproximávamos do cidadão, lançávamos o apelo: “Em nome de Deus, uma ajuda para as velhinhas internas na Casa dos Humildes”. Ao que ele respondia: “Não colaboro, isso é tarefa do governo”. Eu, sem contestar, saía de mansinho, fazendo uma prece a Jesus em favor do irmão, conforme ensinam as normas da campanha do quilo.
Na época fazíamos a campanha todos os sábados.

No sábado seguinte, abordava o cidadão. A resposta era invariável:“Não colaboro, isso é tarefa do governo”.

O pedido e a resposta permaneceram os mesmos durante anos a fio. Eu porém, não desistia. Sabia apenas que meu dever era pedir para as velhinhas a todas as pessoas, independentemente da classe social, da opinião religiosa ou política, das aparências, das raças, das nacionalidades. A caridade é atitude universalista.

Um belo dia, o rapaz me disse, hoje eu vou dar, mas só por hoje, nem pense que mudei de ideia. Colaborou, com alguns quilos de inhame e de macaxeira.

Nas semanas seguintes deixou de colaborar, mas o trabalho de romper a barreira do equívoco, foi realizada; demandou anos para se completar. Mas o que são alguns anos em face do tempo que a alma demanda para evoluir?

Concluímos desta experiência que em nome da humildade devemos pedir a todos sem nos agastarmos com as negativas.


1Casa dos Humildes – instituição fundada por Elias Sobreira. Relembre-se que Elias Sobreira foi fundador da campanha do quilo no Brasil e fundador da Fraternidade Espírita da Campanha do Quilo.

domingo, 11 de setembro de 2011

Campanha, legionário, Bom Combate.

A designação do nosso movimento, "Campanha do Quilo", do trabalhador "legionário" e do primeiro livro sobre o tema de que tratamos neste blog, "O Bom Combate" sofreu referências restritivas por parte de alguns companheiros.

Lembram que campanha significa ação de guerra, legionário, soldado das legiões romanas e bom combate, também lembra, batalha, guerra.

Parece contraditório que uma atividade genuinamente pacífica, fundamentada no princípio do Amor ao Próximo, possa ter alguma semelhança com conflito.

Aliás, vinhamos desejando propor alterações nessas palavras. Refletindo melhor sobre o assunto, entretanto, nos veio o pensamento de que a campanha do quilo é uma ação concentrada no Bem.
Os legionários do quilo ao saírem de porta em porta pedindo uma ajuda em favor das creches e lares de idosos estão realizando um trabalho de combate; combate ao próprio orgulho.

Estão convocados a enviarem pensamentos de paz, elevarem o pensamento a Deus, mesmo em favor de quem os ofenda. Trazem a recomendação de distribuírem mensagens espíritas nos lares, nos bares, onde quer que haja seres humanos, nos prostíbulos, nos antros de criminalidade, etc. Assim, estão realizando, com o arsenal do amor e da humildade, o combate à viciação e às pesadas trevas que dominam boa parte da humanidade terrestre.

Esse percepção de que a campanha do quilo é um combate ao mal, a começar pelo mal que reside temporariamente em nossos corações, nos leva a concluir que a campanha deve ser realizada com disciplina.

Disciplina no vestir, no falar, no pensar, no sentir. Disciplina aplicada primeiro a nós próprios e quando aplicada aos companheiros, será uma disciplina amorosa. Sim, porque segundo o iniciador da campanha do quilo, Elias Sobreira, não há disciplina sem amor. É necessário atender à pontualidade e à assiduidade.

Nessa atividade de combate às trevas é preciso pedir a todos, aos ricos, aos pobres e até aos mendigos.
É preciso penetrar em todos os ambientes, nas casas, nos mocambos, nos palácios, nos prédios de apartamentos, nos clubes. Bem verdade que não vamos romper as normas das moradias sem modos. Mas é preciso comparar o legionário do quilo como a água: onde houver uma fresta, o legionário penetra.
Isto porque devemos levar a mensagem do Cristo exemplificada a todos.

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Mensagem do legionário

Uma amiga, dedicada à campanha do quilo, enviou a mensagem abaixo para publicação neste blog:


AMAR O PRÓXIMO

Amar é a proposta!
Contemos as horas
Idealizando boas obras.

Façamos uma nova história
Onde, alcançaremos a vitória.

O mundo é uma escola
Precisamos das provas.

Amar, servir, renunciar
Sejamos uma porta!

Que leva a luz, a paz
Amparando! Não importa.

Um espírito amigo.



Bela iniciativa da amiga. Vamos falar sempre no Bem. Aguardamos outras mensagens como esta para publicação nesta página.

sábado, 20 de agosto de 2011

Mensagens - III




As poucas reflexões que fizemos a respeito do tema são suficientes para mostrar quão grande efeito pode resultar de uma bem articulada distribuição de mensagens durante a campanha do quilo.
Esclarecimento evangélico ao público, pessoas que se libertam do erro, famílias ameaçadas de desfazerem-se, mantêm-se unidas, suicídios evitados, e outros benefícios morais decorrentes da leitura de páginas espíritas distribuídas nas ruas e nos lares.

Tudo isso é verdade, mas é preciso frisar que a campanha do quilo não depende de mensagens para ser realizada, e que a distribuição pública de mensagens espírita-cristãs também pode ser efetuada independentemente da realização da campanha do quilo.

O dirigente dos trabalhos deve esclarecer que Jesus inscreveu sua mensagem nos corações e não em papel. Relembremos a afirmativa do apóstolo dos gentios: “.. vós sois a carta de Cristo, ministrada por nós, e escrita, não com tinta, mas com o Espírito do Deus vivo, não em tábuas de pedra, mas nas tábuas de carne do coração.” - Segunda epístola aos coríntios – II – 3.
Entendemos que, acima das mensagens escritas, devemos distribuir o ensino praticado. Muito maior valor tem a paciência diante das dificuldades, a tolerância com os defeitos do próximo, a fraternidade vivida, a prece do coração, a palavra amiga, a cordialidade...

Ao entrar em contato com as pessoas, o legionário deve ser afável, compreensivo com as indelicadezas de que for alvo e até mesmo com eventuais violência de que for vítima. Jesus ensinou o perdão incondicional, o Espiritismo e a Campanha do Quilo, vêm recordar o mesmo ensinamento.

A Campanha do Quilo é preciosa oportunidade de pregar o Evangelho, antes de mais nada, pela prática do amor, da caridade, da bondade, da indulgência, do perdão.

A mensagem do Cristo é imortal, principalmente porque é fonte de conforto, é Lei Eterna de Deus e porque foi ministrada pela palavra, mas sobretudo, pelo exemplo.

Assim, quando os trabalhadores do quilo estiverem sem mensagens em papel, devem lembrar-se de que somos cartas vivas de Jesus para a Humanidade e que é necessário tornarmo-nos espíritas verdadeiros, que, como ensinou Allan Kardec, seremos reconhecidos pela transformação moral e pelos esforços empregados para domar nossas más inclinações.

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Comunidade Espírita Elias Sobreira

A Comunidade Espírita Elias Sobreira, entidade de amparo e educação de crianças, promoverá em 11 de março do próximo ano, um seminário sobre "A Educação do Ser para a espiritização da alma".

O evento ocorrerá no Teatro Beberibe. O número de participantes será limitado a 405 (quatrocentos e cinco).

Oportunamente divulgaremos os contatos dos patrocinadores.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

MENSAGENS II

Existe uma grande necessidade de gerenciar as mensagens que são distribuídas durante a campanha do quilo. A Fraternidade Espírita da Campanha do Quilo deve convocar seus diretores, as instituições que imprimem as mensagens e outros trabalhadores da campanha do quilo de boa vontade para formar uma equipe responsável pela escolha, impressão, distribuição e estatísticas relacionadas com mensagens. Essa equipe também deve ser responsável por orientar as instituições a veicular avisos de rodapé ao público em geral, esclarecendo o que é a campanha e para onde será destinado o produto das arrecadações.


Seleção das mensagens
É recomendável que as mensagens contenham ensinamentos compatíveis com a mais pura moralidade cristã. Devem ter por referência  os princípios do Sermão da Montanha explicados em “O Evangelho Segundo o Espiritismo”. Atente-se para o fato de não estarmos defendendo que somente as mensagens com os textos de O Evangelho Seg o Espiritismo sejam distribuídas, não. O que dizemos é que todas as mensagens a serem distribuídas devem ser compatíveis, estarem de acordo com aquela obra básica da Doutrina Espírita, principalmente com os pontos puramente morais, em que todas as religiões se baseiam.
As mensagens psicografadas por F C Xavier devem ter prioridade. As comunicações de Emmanuel, André Luiz, Meimei, Maria Dolores que se refiram a moral do Cristo terão preferência sobre as demais. Isto porque a mediunidade do Chico é sem dúvida a mais segura da História do Espiritismo. São, seguramente, originadas das altas regiões espirituais, onde habitam os guias da Humanidade.
As mensagens devem ser curtas, que toquem o coração e falem sobre Amor, Humildade, Perdão, Paciência, Esperança e Fé em Deus.

Itens necessários nas mensagens
O panfleto deve trazer o título, os nomes do autor espiritual e do médium, bem como o livro e a editora de onde foi retirado o conteúdo no rodapé da página; deve também trazer o nome e endereço da instituição beneficiada pela campanha.

Mensagens mais indicadas para a distribuição no dia da arrecadação
Por essa razão, o dirigente deverá ter o cuidado de dar prioridade em distribuir mensagens que contenham o nome e endereço da instituição para onde será destinada a campanha. Adicionalmente, o dirigente solicitará aos trabalhadores da campanha que, vez por outra, chamem a atenção das pessoas, nas ruas para o endereço colocado no rodapé das mensagens e informem que, quem desejar, poderá fazer visitas aos abrigos.

Possíveis conteúdos dos rodapés das mensagens
Alternativamente, pode-se imprimir o nome, endereço e dias das reuniões da instituição promotora da campanha. Isso ocorrerá quando a instituição promotora for também a responsável pela impressão das mensagens.
Outra possibilidade de conteúdo do rodapé: Anúncios de eventos espíritas que estejam prestes a ocorrer, como palestras, seminários, exposições, etc.
Pode-se, finalmente apor no rodapé, endereços de páginas na internet que exibam mensagens dirigidas ao grande público. Essas mensagens dirigidas ao público podem ser por exemplo: esclarecimentos a respeito das finalidades, horários de realização da campanha, bem como a respeito de como o trabalhador se identifica, ou seja com o crachá
Ressalte-se, entretanto, que essas notas de rodapé nunca devem conter todas essas informações para que não comprometam o espaço destinado à mensagem propriamente dita.

domingo, 26 de junho de 2011

Lições sutis da Campanha do Quilo

Todos os trabalhadores da campanha do quilo são unânimes em reconhecer que há grande diferença entre as acolhidas dos contribuintes residentes em bairros pobres e dos residentes em bairros abastados. Recolhe-se mais  doações, principalmente em alimentos, dos pobres do que dos ricos.
Esse fato levou um "legionário" novato a indagar: "Por que pedimos em bairros pobres para as velhinhas do Abrigo? (na ocasião realizávamos campanha para o Abrigo Batista de Carvalho). Por que a campanha não visitamos exclusivamente os bairros ricos, ou os de classes média e alta? Parece justo que os ricos dêem para os pobres abrigados em lugar de os pobres favelados colaborarem com os outros pobres, os beneficiários da campanha".

Em primeiro lugar, redargui, a campanha do quilo tem um sentido espiritual mais importante do que o significado material.
Observe, inicialmente que a ação da campanha do quilo é apenas de pedir, sem induzir a população ao menor constrangimento. Tanto, isso é verdade, que as normas da campanha nos recomendam, que ao chegarmos à porta da casa e formos atendidos, lançemos o pedido com um leve sorriso e sendo ou não atendidos, sem mudar o semblante, agradecer em nome de Jesus. Ou seja, agradeceremos com o mesmo tom de humildade a todos, independentemente de haverem ou não contribuído para a campanha.
Por isso, ninguém deverá sentir-se coagido ou induzido de modo desconfortável ou inconveniente a contribuir com a campanha do quilo.
Os pobres, tanto quanto os ricos estão plenamente livres para ajudar ou não ajudar a campanha.

Em segundo lugar, caso os pobres não fossem abordados pelo trabalhador da campanha, poderiam sentir-se discriminados, diminuídos, incapazes de ajudar. Essa discriminação seria, sem dúvida, injusta, uma vez que as pessoas que moram nas favelas, em sua grande maioria, possuem algo para dar, uma moeda ainda que de alguns centavos, um punhado de feijão, de arroz, de farinha, uma caixa de fósforo, um pedaço de sabão, etc. A prova disso é que, como disse no início desse texto, os pobres doam com muito maior abundância do que os ricos.

Essa, aliás, é uma grande lição para quem faz a campanha. Enquando os ricos nos recebem, muitas vezes, com desconfiança, cenho carregado, como estivessem cuidadosos com seus bens, ou como se fôssemos pobres e a pobreza fosse contagiosa.

Mais que isso, os pobres são mais alegres, generosos, sorridentes e transparecem muito maior soma de felicidade do que os ricos.

Conhecemos uma senhora residente em uma vila simples de Recife. Conta ela, que certo dia, abandonada pelo marido, possuía, apenas um quilo que arroz para o almoço. Permanecia a sismar como preparar a refeição do meio dia para si própria e para os filhos, quando um legionário da campanha do quilo bateu à sua porta e pediu uma ajuda para as velhinhas internadas no abrigo. Sem vacilar, dirigiu-se ao armário da cozinha, pegou o único pacote de alimento - o arroz mencionado - e doou para a campanha do quilo. Ato contínuo, recebeu uma ligação de uma parenta que a convidava para almoçar em sua residência naquele domingo; adicionalmente, a dita parenta entregou-lhe a quantia de R$ 50,00 para atender suas necessidades imediatas.

Exemplos como este mostram que nossos conceitos nem sempre são verdadeiros. Os pobres parecem mais ricos de possibilidades materiais e de alegria interior. Assim revelam suas expressões fisionômicas.
É tocante receber pequenas doações de pessoas pobres; pobres de dinheiro, mas ricas de boa vontade.

A lição que se extrai desses fatos deveria fulminar o egoísmo de quem realiza a campanha do quilo.

segunda-feira, 20 de junho de 2011

O Bem praticado com desinteresse.

"Qual a mais meritória de todas as virtudes?
– Todas as virtudes têm seu mérito, porque todas são sinais de progresso no caminho do bem. Há virtude sempre que há resistência voluntária ao arrastamento dos maus pendores. Mas a sublimidade da virtude consiste no sacrifício do interesse pessoal, pelo bem do próximo, sem segundas intenções. A mais meritória é a que se baseia na mais desinteressada caridade."
(O Livro dos Espíritos – 1ª Edição Comemorativa do Sesquicentenário – FEB – Tradução Evandro Noleto Bezerra)

Aparentemente a campanha do quilo tem poucas lições para nos transmitir. Um estudo mais atento, porém, mostra que pequenas peculiaridades podem indicar ensinamentos grandiosos no campo do cristianismo.

A ação de pedir, por exemplo, revela-se sublime. Por volta do ano de 1978, estava incumbido de organizar a semana do legionário da campanha do quilo. A Semana do Legionário é um evento que a Escola do Quilo realiza todos os anos em homenagem à data de fundação da instituição e consiste de palestras, entrevistas, debates e atividades de campanha do quilo.

Para proferir as palestras convidei vários oradores espíritas que participam e são comprometidos com a campanha. Um deles, a quem vou chamar de Estêvão, era um cidadão de poucos recursos e desempenhava a função de servidor público da mais humilde posição na hieraquia do órgão em que trabalhava. 

Em que pese sua situação profissional e os parcos recursos que recebia para sobreviver, Estêvão era um orador brilhante. A Casa dos Humildes foi o lugar indicado para que ele proferisse sua palestra. No dia aprazado, compareceram algumas dezenas de pessoas. Muitos dos circunstantes apresentavam-se bem trajados. O orador, porém, vestia-se com simplicidade.

A exposição foi repassada de uma sublime energia espiritual. Sábios conceitos foram emitidos em tom contagiante. Certamente, Estevão veiculou uma mensagem do alto. Uma frase enunciada pelo orador, dentre tantas de grande expressividade, permanece em minha memória: “Disse um pensador: se soubéssemos quão grande valor tem uma esmola, nós nos ajoelharíamos antes de a concedermos.”

De fato, a campanha do quilo nos ensina a pedir e a doar uma moeda, um pedaço de pão, alguns gramas de feijão, de modo desinteressado e anônimo. Em outras formas de doação é comum haver registros nominativos, o doador fica conhecido, com seu nome anotado na contabilidade da organização beneficiária. Nada contra; contudo, na campanha do quilo, os doadores são sempre anônimos.

A norma da campanha do quilo dispõe que ao final dos trabalhos, a arrecadação de todos os participantes é misturada formando um só total e aí sim é registrada em um formulário. Mas o nome dos benfeitores permanece desconhecido. Muitas crianças foram educadas em creches, por anos consecutivos, graças às arrecadações da campanha do quilo. O mesmo pode ser dito sobre os lares de velhinhos. Trata-se de meritória, desinteressada e anônima colaboração em favor dos necessitados.

Podemos concluir que a campanha do quilo é a prática institucionalizada que mais estimula a prática do bem desinteressado. Felizes os que entenderem e seguirem seus ensinamentos.

terça-feira, 14 de junho de 2011

Visita da presidente da Fraternidade do Quilo de Pernambuco em Caruaru

A visita noticiada abaixo foi adiada para o próximo dia 10 de julho. O evento terá lugar na AME - Associação Municipal Espírita de Caruaru.

No próximo dia 03 de julho (adiada para 10 de julho), a presidente da Fraternidade Espírita da Campanha do Quilo de Pernambuco visitará os coidealistas espíritas de Caruaru. Na "capital do agreste", Luzinete fará exposição sobre o movimento da campanha do quilo de Pernambuco. A palestra terá lugar na reunião do conselho espírita de Caruaru.

A nossa expectativa é que essa visita possa incentivar ainda mais o movimento de caridade e amor ao próximo no Agreste do Estado. Peçamos a Deus que os caruaruenses e companheiros de outras cidades próximas venham a aderir ao movimento fraterno da Campanha do Quilo.

Em frente Luzinete! Que os bons amigos espirituais, Bezerra de Mesezes, Elias Sobreira te ajudem nessa tarefa.

terça-feira, 31 de maio de 2011

A Campanha do Quilo, ou o Bom Combate.

É a primeira obra que trata do método e da história da campanha do quilo. Escrita pelo fundador do movimento do quilo, Elias Sobreira, em um estilo simples e esclarecedor. Em reuniões preparatórias da campanha é um livro indispensável, por trazer "Os dez mandamentos", "Benefícios" e "Normas" da Campanha do Quilo.

A Fraternidade do quilo, dispõe de vários volumes desta obra.

Quem desejar adquirir o livro deverá entrar em contato com:

Fraternidade Espírita da Campanha do Quilo de Pernambuco

Rua Israel Fonseca, 66 - Santo Amaro - Recife PE

Fone: 32220144 telefone está disponível para receber ligações às terças e quintas feiras entre 9h30 e 15h00.

domingo, 29 de maio de 2011

Campanha do quilo na chuva

Conversávamos com os companheiros Diogo Melo e Paulo Carthagenes sobre a campanha do quilo. Falávamos sobre as chuvas torrenciais que têm assolado a cidade de Recife, nos últimos dias.
Diogo, tomando a palavra disse:
- Na última campanha do "CE Caminhando Para Jesus", saímos às 9h20 aproximadamente. Não havia possibilidade de franquearmos às ruas em meio ao forte temporal que se fazia naquela ocasião.
Paulo, que também estava presente à campanha, lembrou que, após a reunião preparatória, vários companheiros se pronunciaram sobre o assunto; uns defendiam a idéia de realizar o trabalho debaixo de chuva mesmo. Outros argumentavam que a campanha deveria ser suspensa e adiada para o domingo seguinte. Logo que o debate encerrou, verificaram que a chuva havia cessado. Dirigiram-se às ruas e o trabalho foi pleno de êxito.
Diogo retomou a palavra e indagou:
- Se a chuva não tivesse passado? Como proceder? Como ficariam as crianças e velhinhos necessitados, famintos que esperavam pelo resultado da campanha para poderem se alimentar?
Diogo recordou que em companhia do seu pai, João Fernando de Melo, há alguns anos, realizava a campanha do quilo em companhia de Elias Sobreira. O fato ocorria no bairro de Casa Amarela em Recife. Naquele dia, os legionários do quilo foram surpreendidos por uma chuva torrencial e tiveram que adentrar o Mercado local. Enquanto a chuva caía, o trio realizou peditórios entre os circunstantes que aguardavam o estio.
Diante do diálogo fraterno, concluímos que não se deve realizar campanhas a partir do momento em que fortes chuvas comecem a cair. Isto porque, por mais que o legionário não se importe em molhar-se, há de se considerar que as os donativos como dinheiro, alimentos como pão e outros gêneros, podem ficar comprometidos.
Sob chuvas fortes, deve-se procurar abrigo e aguardar até ao horário do encerramento dos trabalhos. Caso o tempo permita, continuaremos no labor de pedir a quem tem para dar a quem não tem. Se estivermos em um abrigo de grandes proporções, a exemplo do Mercado de Casa Amarela, citado linhas atrás, deve-se aproveitar o tempo e lançar o apelo aos circunstantes como fizeram Diogo, João e Elias Sobreira. Entre os horários estabelecidos de início e de final dos trabalhos, mantenhamo-nos à disposição da tarefa, prontos para agir da melhor e da mais sensata maneira.

Isoláquio Mustafa Filho

domingo, 22 de maio de 2011

Planejamento

A Fraternidade Espírita da Campanha do Quilo está iniciando seu planejamento. Este trabalho é uma extensão do documento apresentado pela atual diretoria em sua posse.
Pretende-se traçar um perfil da instituição com reflexões e respostas em torno dos temas:

O que é a Fraternidade do Quilo?
Qual sua missão?
Quais devem ser suas prioridades?
Quais seus públicos?
Relacionar os pontos fortes, os que precisam melhorar. As oportunidades e as ameaças ao alcance de seus objetivos.
Relacionar ações que viabilizem o cumprimento dos objetivos e da missão da Fraternidade do Quilo.

Caso tenham sugestões podem postá-las no formulário deste blog.

Agradecemos

domingo, 27 de março de 2011

MÉTODO PARA FUNDAR UMA CAMANHA DO QUILO

Este tema foi abordado pelo maior representante da campanha do quilo, Elias Sobreira, em seu livro “A Campanha do Quilo, ou o Bom Combate” .
Tenho em mãos, a primeira edição deste trabalho. Reproduzo abaixo as instruções ali contidas:
“Para fundar uma Campanha do Quilo, é preciso, em primeiro lugar, fazer incentivos, durante as reuniões espíritas de doutrinações, esclarecendo os irmãos sobre o valor desta, como obra de assistência, não só material, mas também moral e espiritual. Como assistência material, porque os orfanatos e abrigos de velhos,  poderão ser muito ajudados pelas arrecadações da referida Campanha; como assistência moral porque, no santo exercício de pedir a quem tem, para dar a quem não tem, o tarefeiro encontrará valiosa oportunidade para a própria reforma e da coletividade, de vez que no serviço laborioso, modesto e humilde em apreço, será estimulada a prática da humildade, da paciência, da tolerância, da boa vontade, da renúncia, enfim, da fraternidade irrestrita, que influenciará a coletividade para a prática do bem desinteressado; como assistência espiritual, porque na sagrada tarefa realizada em benefício das crianças órfãs e dos velhos abandonados,  serão atraídos ao convívio dos legionários, e do povo, falanges de espíritos benfazejos, que com as suas benéficas influências, não somente cooperarão extraordinariamente para as desobsessões individuais e coletivas, com o afastamento das coortes de espíritos malfazejos, como também para a paz individual e coletiva. Por essa forma, torna-se a Campanha do Quilo, um valioso instrumento de reforma moral-espiritual.”

domingo, 30 de janeiro de 2011

Pessoas obsidiadas podem fazer campanha do quilo?

Podem, sob certas condições e apenas pacientes de obsessão simples.

Allan Kardec define obsessão simples assim:

"Dá-se a obsessão simples, quando um Espírito malfazejo se impõe a um médium, se imiscui, a seu mau grado, nas comunicações que ele recebe, o impede de se comunicar com outros Espíritos e se apresenta em lugar dos que são evocados." .. " Na obsessão simples, o médium sabe muito bem que se acha presa de um Espírito mentiroso e este não se disfarça; de nenhuma forma dissimula suas más itenções e o seu propósito de contrariar." - O Livro dos Médiuns -  52ª edição FEB.

Neste caso, a pessoa que sofre de obsessão, pode realizar a campanha do quilo, porém, é importante adotar os cuidados recomendados para todos os participantes da campanha com mais atenção, quais sejam:

a) Observar rigorosamente a pontualidade na chegada à campanha;
b) Participar da reunião preparatória, quando é lido "O Evangelho Segundo o Espiritismo", o "Bom Combate" e são feitos criteriosos comentários a respeito dos temas e do comportamento nas ruas;

É recomendável, também, submeter-se a tratamento de desobsessão em centro espírita bem orientado, cujas diretrizes sejam as expostas nas obras básicas e complementares do Espiritismo.

Normalmente, os tratamentos de desobsessão constam de recomendações como leitura de O Evangelho Segundo o Espiritismo, prática da prece, do perdão, abstenção do uso de drogas ilícitas ou mesmo lícitas, melhoria do comportamento, passes, água fluidificada, participação em reuniões públicas doutrinárias.
Nas reuniões de desobsessão, o obsessor é "evocado" e orientado amorosamente a perdoar, ou, conforme o caso, encaminhado para participar de tratamentos e instruções no mundo espiritual que facilitarão sua recuperação.


As vítimas de subjugação e fascinação não devem participar da campanha até que concluam com êxito o tratamento de desobsessão. Isto porque, as atividades da campanha equivalem a trabalho de representação pública do Espiritismo e tal atividade exige independência do pensamento e das atitudes,  além de compenetração dos deveres morais, capacidade de paciência e de perdão, o que, normalmente não existe  nas vítimas de subjugação e fascinação.

A título de recordação, vamos citar a mesma obra do missionário do Espiritismo:
"A fascinação tem conseqüências muito mais graves. E uma ilusão produzida pela ação direta do Espírito sobre o pensamento do médium e que, de certa maneira, lhe paralisa o raciocínio, relativamente às comunicações. O médium fascinado não acredita que o estejam enganando: o Espírito tem a arte de lhe
inspirar confiança cega, que o impede de ver o embuste e de compreender o absurdo do que escreve, ainda quando esse absurdo salte aos olhos de toda gente."
"A subjugação é uma constrição que paralisa a vontade daquele que a sofre e o faz agir a seu mau grado. Numa palavra: o paciente fica sob um verdadeiro jugo. A subjugação pode ser moral  ou  corporal. No primeiro caso, o subjugado é constrangido a tomar resoluções muitas vezes absurdas e comprometedoras que, por uma espécie de ilusão, ele julga sensatas: é uma como fascinação. No segundo caso, o Espírito atua sobre os órgãos materiais e provoca movimentos involuntários. Traduz-se, no médium escrevente, por uma necessidade incessante de escrever, ainda nos momentos menos oportunos. Vimos alguns que, à falta de pena ou lápis, simulavam escrever com o dedo, onde quer que se encontrassem, mesmo nas ruas, nas portas, nas paredes.
Vai às vezes, mais longe a subjugação corporal; pode levar aos mais ridículos atos. Conhecemos um homem, que não era jovem, nem belo e que, sob o império de uma obsessão dessa natureza, se via constrangido, por uma força irresistível, a pôr-se de joelhos diante de uma moça a cujo respeito nenhuma pretensão nutria e pedi-la em casamento."


Conheci há algumas décadas um cidadão portador de subjugação que foi realizar a campanha, após encerrados os trabalhos, o cidadão nos relatou que teve forte vontade de agredir, e por pouco não o fez, irmãos protestantes que contestavam o valor da campanha do quilo.

A essas considerações, pode-se contrapor relatos constantes do livro "O Bom Combate" sobre desobsessões, inclusive vividas pelo próprio Elias Sobreira, que foram curadas principalmente pela participação nas atividades do quilo.
Replico dizendo apenas: tratavam-se de obsessões simples e as vítimas adotaram todas as providências necessárias para suas libertações: oração, vigilância, leitura do Evangelho e participação em reuniões públicas doutrinárias.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Semana do Legionário

Em homenagem ao 65ª aniversário de fundação da Fraternidade Espírita da Campanha do Quilo, será realizada a semana do legionário no próximo mês de março.
Segue programação:


DATA HORÁRIO LOCAL EXPOSITOR(A) TEMA
13/03/2011 15h00 Assoc Esp Bezerra de Menezes – Limoeiro PE Lourenço Barros Campanha do Quilo – Solidariedade um portal para o mundo de regeneração.
14/03/2011 19h45 Assoc Esp Trab Evangelho Universal – Jaboatão Ericê Bezerra Campanha do Quilo e despertar da solidariedade humana.
15/03/2011 19h45 Centro Esp Mangedoura de Belém – Alto do Mandu Raurium Bacahau Campanha do Quilo – Solidariedade que regenera.
16/03/2011 19h45 Núcleo Esp Missionários da Luz – Pina Ana Izabel Campanha do Quilo – Caminho para a Regeneração.
17/03/2011 19h45 Centro Esp Jesus de Nazaré Antonio Alves Campanha do Quilo – Fraternidade para com o próximo.
18/03/2011 19h45 Igreja Espírita Joana D´Arc – Madalena Tereza Cristina Campanha do Quilo – Solidariedade Caminho da Fraternidade.
19/03/2011 19h45 Cenáculo Esp Casa de Maria Cleide Cavalcanti Campanha do Quilo e reforma íntima.
20/03/2011 - Instituto Allan Kardec e Lar Ceci Costa - Momento Artístico






Além dos eventos relacionados acima, haverá realização de campanha do quilo na abertura e no encerramento do evento, com início sempre às 8h00, na Associação Espírita Adolfo Bezerra de Menezes em Limoeiro e no Instituto Allan Kardec/Lar Ceci Costa em Olinda, respectivamente.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Campanha Auta de Souza

A Campanha Auta de Souza teve origem na Campanha do Quilo.

“Dentro do Movimento Espírita, temos notícias que Eurípedes Barsanulfo utilizou a Campanha do Quilo para o seu trabalho assistencial (Eurípedes, O Homem e a Missão - Corina Novellino), mas a pessoa que primeiro recebeu orientação expressa da Espiritualidade maior, através do Dr. Bezerra de Menezes, para implantação de forma sistemática da Campanha do Quilo nos arraias espiritistas, foi Elias Alverne Sobreira, ainda encarnado, hoje (1995) com 88 anos, morador de Recife -PE, que ensinou a Oli de Castro a fazer a Campanha do Quilo e este ensinou ao Nympho de Paula Corrêa.” (Revista Auta Souza, nº 11, p.26-27)” -

Texto Completo:

Campanha de Fraternidade Auta de Souza: Breve histórico

Como surgiu a Campanha?
“Era preciso chamar o povo em geral à colaboração. Parece-nos que o trabalho pioneiro nesse sentido foi a CAMPANHA DO QUILO, onde os cidadãos eram chamados a colaborar com um quilo de qualquer mantimento.

Não se sabe ao certo a origem da Campanha do Quilo, mas com certeza a primeira Campanha feita em nome de Nosso Senhor Jesus Cristo, visando o amparo aos necessitados, foi a empreendida por Paulo de Tarso em favor da Casa do Caminho, durante as suas viagens. Consta também que Francisco de Assis fazia campanha de rua para depois distribuir com os pobres [...].

São Vicente de Paula, também fazia campanha para distribuir com os pobres, trabalho esse continuado até hoje pela Ordem dos Vicentinos, da Igreja Católica.

Dentro do Movimento Espírita, temos notícias que Eurípedes Barsanulfo utilizou a Campanha do Quilo para o seu trabalho assistencial (Eurípedes, O Homem e a Missão - Corina Novellino), mas a pessoa que primeiro recebeu orientação expressa da Espiritualidade maior, através do Dr. Bezerra de Menezes, para implantação de forma sistemática da Campanha do Quilo nos arraias espiritistas, foi Elias Alverne Sobreira, ainda encarnado, hoje (1995) com 88 anos, morador de Recife -PE, que ensinou a Oli de Castro a fazer a Campanha do Quilo e este ensinou ao Nympho de Paula Corrêa.” (Revista Auta Souza, nº 11, p.26-27).
Nympho Corrêa e a Campanha do Quilo
“Há alguns anos, vindo da cidade de Cuiabá, àquela época residindo em Campo Grande, hoje capital de Mato Grosso do Sul, […]. Eu era católico com freqüência assídua […]. Nos meados de 1944 passei a freqüentar a Mocidade do Centro Espírita Discípulos de Jesus [...].

Em 1950 transferiu-se para aquela cidade o entusiasta e trabalhador Espírita, irmão Oli de Castro, que musicou o hino da Alegria Cristã de autoria de Leopoldo Machado. Oli era sargento da Aeronáutica, vindo transferido da cidade de Recife, onde tomava parte de uma campanha que pedia alimentos pelas ruas, designada de Campanha do Quilo e o confrade Oli convocou alguns irmãos da Mocidade, para organização da referida campanha. Após um certo tempo de preparo, saímos às ruas da cidade, mais ou menos uns oito participantes, pedindo de porta em porta e arrecadando no mesmo dia, um quilo de alimento, os quais eram encaminhados ao Departamento de Assistência do Centro, em benefício das famílias ali assistidas.” (Revista Auta Souza, nº 11, p. 30 ).
Nympho Corrêa idealiza e funda a Campanha de Fraternidade
“[...] motivos de força maior levaram Nympho Corrêa para São Paulo, Capital, em junho de 1952. Na Capital Bandeirante tornou-se freqüentador da Federação Espírita de São Paulo e do então pequeno Departamento de Assistência Social da Federação. Logo notou as dificuldades enfrentadas pelo Órgão Assistencial da Federação Espírita de São Paulo. Notou também que as mensagens espíritas-cristãs continuavam restritas ao ambiente espírita, a invés de serem levadas aos lares famintos de novos conhecimentos para os seus espíritos.[...].

Em 3 de fevereiro de 1953, às 20:00 horas, em uma das dependências da Federação Espírita do Estado de São Paulo, à Rua Maria Paula, 158 (antigo prédio), reuni alguns amigos e apresentei o projeto de como organizar e funcionar uma campanha de rua, cujo nome deveria ser Campanha de Fraternidade. Sendo estudado carinhosamente pelos companheiros, foi aprovada e marcado o seu início para daí a um mês.

E, assim, a 3 de março de 1953, com a proteção dos Espíritos Maiores, o coração cheio de alegria, sem mesmo saber que estaria plantando ali uma grande árvore destinada a dar frutos de tanta beleza, a irradiar-se em múltiplas tarefas, futuro a fora, realizou-se a memorável primeira CAMPANHA DE FRATERNIDADE, na histórica cidade de São Paulo, no bairro de Pinheiros, em frente ao Cemitério do Araçá - justamente em frente ao cemitério, como que simbolizando a ligação entre a chamada “morte”, com a vida eterna de todos nós, a bradar; “Unamos nossos esforços para que quando o Senhor chegar encontre acabada a obra” - com doze caravaneiros [...].” (Revista Auta Souza, nº 11, p. 31-32).

A Campanha passa a levar o nome de Auta de Souza
“Após vencidas as primeiras lutas chegavam de Pedro Leopoldo, por intermédio de nosso muito querido Francisco Cândido Xavier, os primeiros incentivos do Alto, partido de um coração amoroso, cheio de boa vontade, o de AUTA DE SOUZA, em mensagens encorajadoras, concitando os caravaneiros a se unificarem no trabalho perseverante de levar aos lares a palavra amiga, a mensagem esclarecedora referente à Boa Nova de Jesus, no “IDE DE DOIS EM DOIS E PREGAI O MEU EVANGELHO” e também nos assistindo, nos inspirando e nos amparando nas lutas em prol da continuidade dos trabalhos.

Daí surgiu a idéia de dar seu querido nome à Campanha, passando, assim, a se denominar “CAMPANHA DE FRATERNIDADE “AUTA DE SOUZA” (Bases e regulamento da Campanha de Fraternidade Auta de Souza, 2.ed. p.19).

CFAS: Pensamento e Transformação Moral
“Pensar é agir, falar é movimentar forças vivas, de conseqüências por vezes inimagináveis. Compor um artigo, uma carta, um poema ou uma música, produzir um som ou simplesmente divagar idéias, tudo isso é atuar, agir, fazer, emitir e captar forças, agregar e desagregar formas mentais, participar da economia da vida, seja para o bem ou seja para o mal.[...].

Pensamento é sempre luz. Uma mente poderosamente intelectualizada, que pensa em ondas da alta freqüência vibratória, produz radiações que podem, por exemplo, ser verdes ou azuis; [...].

Quando os Gênios da Espiritualidade Superior insistem em que a maior necessidade humana, a mais urgente e a mais decisiva, é a da aquisição de amor e das virtudes morais, não o fazem por pieguismo desarrazoado e inconseqüente.” (Áureo, Universo e Vida, 4.ed., p.77-78).
“Diz o Evangelho Segundo o Espiritismo: “Reconhece-se o verdadeiro espírita pela sua transformação moral e pelos esforços que faz para dominar suas más inclinações” (Capítulo XVII, item 4). Se chegarmos à Doutrina e desejarmos só doutrinar e evangelizar os outros, esquecemos de nós mesmos e aí a máscara se desintegra e vem o fracasso. Ninguém está isento da reforma íntima, até os espíritas “de gabinete”; todos precisam buscar na imagem dos apóstolos o verdadeiro caminho. Os espíritas apegados à letra devem recordar que Jesus não ficou [...] num gabinete de trabalho. [...], foi o primeiro a fazer a hoje denominada “Campanha de Fraternidade Auta de Souza”, quando pediu a Deus condição de alimentar o povo: [...].

A Doutrina Espírita é a religião do futuro, porque ensina o homem a possuir caráter, coração e força. (Luiz Sérgio, Driblando a Dor, p.120-121).

“Assimilamos os pensamentos daqueles que pensam como pensamos.

É que sentindo, mentalizando, falando ou agindo, sintonizamo-nos com as emoções e idéias de todas as pessoas, encarnadas ou desencarnadas, da nossa faixa de simpatia.

Estamos invariavelmente atraindo ou repelindo recursos mentais que se agregam aos nossos, fortificando-nos para o bem ou para o mal segundo a direção que escolhemos.

Em qualquer providência e em qualquer opinião somos sempre a soma de muitos. [...]

Pensando, conversando ou trabalhando, a força de nossas idéias, palavras e atos alcança, de momento, um potencial tantas vezes maior quantas sejam as pessoas encarnadas ou não que concordem conosco potencial esse que tende a aumentar indefinidamente, impondo-nos de retorno, as conseqüências de nossas próprias iniciativas.

Estejamos, assim, procurando incessantemente o bem, ajudando, aprendendo, servindo, desculpando e amando, porque, nessa atitude, refletiremos os cultivadores da luz, resolvendo, com segurança, o nosso problema de companhia.”(Emmanuel, Pensamento e vida, 7.ed., p.40-43).
“Nem tudo o que fazemos num plano repercute visivelmente, de imediato, noutro plano, mas ninguém se engane quanto à natureza das forças vivas que alguém move quando anseia, deseja ou quer seja o que for, porque a vida, através dos mecanismos automáticos de sua justiça, jamais deixará de entregar-nos o resultado de nossas ações, ainda que sejam ações apenas mentais, pois a mente é que comanda a vida.” (Áureo, Universo e Vida, 4.ed., p.77).
“Quando coléricos e irritadiços, agressivos e ásperos para com os outros, criamos por atividade reflexa o desalento e a intemperança, a crueldade e a secura para nós mesmos, e, quando, generosos e compreensivos, prestimosos e úteis para com aqueles que nos cercam, criamos consequentemente, a alegria e a tranqüilidade, a segurança e o bom ânimo para nós próprios.[...].

“A prática do bem, simples e infatigável, pode modificar a rota do destino, de vez que o pensamento claro e correto, com ação edificante interfere nas funções celulares, tanto quanto nos eventos humanos, atraindo em nosso favor, por nosso reflexo melhorado e mais nobre, amparo, luz e apoio, segundo lei do auxílio.” (Emmanuel, Pensamento e vida, 7.ed., p. 50-51;72-73).

Fonte: http://www.ocentroespirita.com/centroespirita/historico-cfas.php


terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Os dez mandamentos da Campanha do Quilo.

Perdoar, a todo o momento, qualquer ofensa;
Tolerar, cheio de boa vontade, qualquer fraqueza do próximo;
Não procurar enxergar o defeito de ninguém;
Elevar, no mesmo instante, o pensamento a Deus por quem o ofender;
Não se magoar quando receber qualquer ofensa;
Não comentar o mal feito de quem quer que seja;
Falar sempre no bem, no Evangelho e na moral do Cristo;
Não aceitar o "disse-que-disse", venha donde vier, para ter garantida a paz entre os irmãos;
Ter muita paciência, em qualquer experimentação;
Não falar, nem gesticular exaltado, agressivo, com ninguém, para não perder a boa assistência dos guias espirituais.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

O QUE A CAMPANHA DO QUILO TEM A VER COM A IRMÃ DULCE.


Março de 1981, visitei a antiga capital federal, Salvador. Desejava ver a irmã Dulce, conhecida por seu imenso amor pelos necessitados, ativa trabalhadora da caridade, que, ao longo de sua vida, amparara milhares de pobres e sofredores.
Ouvira falar dela repetidas vezes. Conhecia um cidadão que, órfão de pai e mãe, havia sido criado pela caridosa freira. O cidadão a que me referia, relatava a forma bondosa e cortês com que Dulce tratava a todos, inclusive aos funcionários. Ouvíramos dizer dela: “Quando algum dos empregados realizava uma tarefa mal feita, a irmã corrigia-o com carinho e com infinita paciência” e acrescentavam: “Se eu estivesse no lugar dela não repetiria tantas vezes o mesmo conselho em tom de bondade e calma, já teria ralhado com o relapso”.
Na Escola do Quilo de Pernambuco onde eu exercia, à época, a presidência comentava-se que, quando, em 1938, no Rio de Janeiro, Elias Sobreira fundara a campanha, havia se inspirado no trabalho de “uma freira baiana”. Dizia-se que a irmã Dulce já àquela época, saía de porta em porta pedindo ajuda para suas obras sociais, fato confirmado pelo meu conhecido, órfão, a que me referi acima.
Uma vez em Salvador, dirigi-me ao Hospital Santo Antônio situado no bairro de Roma. Construção simples, destacavam-se as cores azul e branco. Adentrei o edifício e sem demora observei logo à entrada, a figura franzina da freira. De baixa estatura, estava rodeada de senhoras notoriamente pobres. Distribuía algo com as circunstantes. Quando percebeu a presença de estranhos interrompeu a distribuição.
Apresentei-me. Recebeu-me com cordialidade, diria até com humildade. Pedi para conhecer as instalações da obra de amparo fraternal. Ela imediatamente convocou uma auxiliar que me conduziu a alguns pavilhões do edifício. Tudo apresentava-se bem cuidado, higiênico. Havia necessitados de todos os tipos, velhinhos, homens, mulheres e crianças doentes. Chamou-me a atenção um menino que requeria grandes cuidados, portador de hidrocefalia.
Um dos internos afirmou que a irmã, diariamente, saía de leito em leito cumprimentando a todos.
Voltei a ver a irmã Dulce, disse a ela que realizava a campanha do quilo em favor de orfanatos e lares de velhinhos em Recife. A irmã disse que já ouvira falar do nosso trabalho. Referi-me à possibilidade de a campanha ter sido inspirada na atividade dela e perguntei-lhe se antes de 1938 ela já realizava peditório de porta em porta. Sem muita ênfase, afirmou que fazia esta atividade desde 1935.
Perguntei-lhe quantos internos havia no hospital, ela me disse um número que não me lembro bem: 400 ou 600. Assomou-se à lembrança as dificuldades relatadas pelos diretores de orfanatos em Recife para mantê-los. Fui tomado de um sentimento de admiração e surpresa. Sob o efeito de perplexidade interroguei “como a senhora consegue manter essa instituição...” Ao que ela sem titubear, com expressão segura, baixou a cabeça em sinal de respeito e redarguiu: “Eu não... DEUS”.
Senti a sinceridade da referência; de sua atitude emanava respeito, submissão, humildade.
Foi uma inesquecível lição.
Emociono-me ao recordar aquela visita, às vezes os olhos ficam úmidos, e nesse momento ouço o canto dos passarinhos à janela. A lembrança da irmã Dulce está sempre presente em minha alma.



quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Emmanuel envia mensagem aos “campanheiros”

A atual presidente da Fraternidade do Quilo, Luzinete de Oliveira, vem defendendo a ideia de que a Campanha do Quilo tem como principal finalidade evangelizar seus participantes. Segundo ela, o fundador da instituição, Elias Sobreira, nos últimos dias de vida na Terra, dizia que o melhor do trabalho é o exercício da humildade, da paciência, do perdão, e de outras virtudes cristãs.


Sobreira instituiu as normas da Campanha com base em mensagens recebidas do espírito Bezerra de Meneses cujo conteúdo é aderente aos preceitos do Sermão da Montanha.

Na mesma linha de raciocínio, Francisco Cândido Xavier havia recebido do mentor Emmanuel uma mensagem referente à “Campanha” que pode ser lida no livro “Religião dos Espíritos” publicado pela Federação Espírita Brasileira. Vejamos a mensagem do orientador de Chico Xavier:

Campanha na campanha


“Campanha”, além de outros significados na sinonímica, pode também figuradamente expressar “esforço para conseguir alguma coisa”.

Possuímos, desse modo, campanhas múltiplas no terreno da solidariedade, como simples dever; todas, porém, rogando a campanha da indulgência, no âmago de si mesmas.

Ouçamos, assim, o que nos diz semelhante campanha íntima.

Ajuda a construir o templo de tua fé, mas não creias que os outros devam crer conforme crês.

Ergue um lar que recolha os infortunados da via pública; entretanto, não expulses do coração as vítimas do mal, para que o mal não as aniquile.

Agasalha a epiderme desnuda do companheiro; todavia, não exponhas a vida do próximo às rajadas mortíferas da censura.

Estende o prato reconfortante ao faminto; contudo, não te falte apoio moral para os sedentos de compreensão.

Traze a cadeira de rodas à necessidade do paralítico; no entanto, não deixes de levantar os caídos em desapreço.

Protege os obsidiados como puderes, mas desculpa incondicionalmente os amigos perturbados da própria rota, quando te compliquem a experiência.

Dá remédio aos enfermos; entretanto, não negues algum bálsamo de esperança aos corações tombados no vício.

Ampara a criança menosprezada; contudo, não a escravizes à tua exigência.

Promove a pregação da virtude; no entanto, atende ao culto incessante da gentileza para com todos, começando da própria casa.

Presta serviço aos irmãos do caminho, mas não lhes cobres favores especiais.

Realmente, em quaisquer campanhas de redenção, não te despreocupes da campanha da indulgência na campanha a que te afeiçoes.

Indulgência exprime “entendimento” e “entendimento” quer dizer “simpatia fraterna”.

Jesus, entre os homens, partilhou campanhas diversas, inclusive aquelas do amor pelos inimigos e da oração pelos que perseguem e caluniam.

Entretanto, fosse na tolerância aos sarcasmos da rua ou no perdão aos ingratos, em momento algum se esqueceu da própria consagração à campanha da bênção.

domingo, 31 de outubro de 2010

Mensagens - I



Distribuir mensagens já se tornou característico da atividade da Campanha do Quilo. É raro encontrar-se um participante nas ruas, sem que esteja a oferecer uma folha de papel com conteúdo espírita cristão.

Encaramos a distribuição de mensagens como uma atividade a mais, e não como ato intrínseco à Campanha do Quilo que, na ausência de mensagens, pode ser realizada sem maiores problemas.

Jesus, nos recomendou pregar seu Evangelho a todos. Entregar um panfleto, durante a campanha do quilo, quando são visitados muitos lares, são abordadas milhares de pessoas, é um poderoso meio de divulgação cristã.

Oportuno lembrar as orientações de Elias Sobreira, presentes em seu livro “O Bom Combate”:
a) o Legionário (participante da campanha) ao bater palmas deve fazê-lo moderadamente...
b) … falar em tom moderado, com clareza, sem afetação, olhando a pessoa a quem se dirige, deixando aparecer um leve sorriso, dizer: Bom dia, somos da Campanha do Quilo, em nome de Jesus, estamos pedindo um auxílio para o … (abrigo de velhinhas ou orfanato tal);
c) atendido ou não SEM MUDAR O SEMBLANTE, desejar a paz do Senhor... se estiver distribuindo mensagens, deve oferecê-las, mas sem insistir.
(A Campanha do Quilo ou o Bom Combate – 1978 – 1ª Edição)
Observe-se as recomendações de benevolência, de moderação, de respeito que devem ser a primeira mensagem oferecida. Ainda antes de oferecer-se a mensagem, lança-se o pedido de auxílio aos mais necessitados, que é mais do que justo e conforme a regra áurea do Cristianismo: “Ama o Próximo como a ti mesmo”. O exemplo do Bem deve preceder a pregação por palavras faladas ou escritas.
Depois, a oferta do panfleto, se o participante estiver distribuindo, deve ser  sem insistência. Algumas pessoas podem considerar o oferecimento da mensagem como tentativa de convertê-las ao Espiritismo.
O propósito da mensagem é, antes de mais nada, confortar os aflitos, os que estão feridos em seus sentimentos; fortalecer a fé aos que alimentam dúvidas; orientar para Deus os que se deixam levar pelas sugestões da insensatez. Em momento nenhum pretende-se aumentar o número de espíritas com as mensagens distribuídas.