terça-feira, 31 de julho de 2012

PATERNIDADE


No segundo domingo de agosto comemora-se o dia dos pais. Aproveitamos a oportunidade para recordar as reflexões contidas em O Livro dos Espíritos sobre a paternidade. Há quem diga que o livro básico da Filosofia Espírita é um dos maiores tratados de Sabedoria que a Humanidade já possuiu. Os que ainda não tiveram oportunidade de ler e meditar sobre os grandiosos ensinamentos contidos neste compêndio poderão apreciar uma pequena amostra. Extraímos um trecho da Segunda Parte, Capítulo X, “Das Ocupações e Missões dos Espíritos”. Vejamos:

582. Pode-se considerar como missão a paternidade?

“É, sem contestação possível, uma verdadeira missão. É ao mesmo tempo grandíssimo dever e que envolve, mais do que o pensa o homem, a sua responsabilidade quanto ao futuro. Deus colocou o filho sob a tutela dos pais, a fim de que estes o dirijam pela senda do bem, e lhes facilitou a tarefa dando àquele uma organização débil e delicada,que o torna propício a todas as impressões. Muitos há, no entanto, que mais cuidam de aprumar as árvores do seu jardim e de fazê-las dar bons frutos em abundância, do que de formar o caráter de seu filho. Se este vier a sucumbir por culpa deles, suportarão os desgostos resultantes dessa queda e partilharão dos sofrimentos do filho na vida futura, por não terem feito o que lhes estava ao alcance para que ele avançasse na estrada do bem.”

583. São responsáveis os pais pelo transviamento de um filho que envereda pelo caminho do mal, apesar dos cuidados que lhe dispensaram?

“Não; porém, quanto piores forem as propensões do filho, tanto mais pesada é a tarefa e tanto maior o mérito dos pais, se conseguirem desviá-lo do mau caminho.”

a) Se um filho se torna homem de bem, não obstante a negligência ou os maus exemplos de seus pais, tiram estes daí algum proveito?

“Deus é justo.”

(KARDEC, Allan – O Livro dos Espíritos – 76ª Edição FEB – Federação Espírita Brasileira)

Se possuíssemos consciência dessas verdades, a Humanidade sofreria menos, teríamos menos problemas sociais, psicologicos e comportamentais.

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Escola Central da Campanha do Quilo do Rio de Janeiro

Após a publicação do Livro de Elias Sobreira, "A Campanha do Quilo ou o Bom Combate", surgiram instituições beneficentes espíritas promotoras na Campanha do Quilo. Foram enviados livros para diversas instituições espíritas no Brasil. No Rio de Janeiro, o coidealista Ederson Pereira Silva recebeu um exemplar, fez a leitura da obra, analisou os fundamentos da campanha do quilo, entrou em contato epistolar com Elias Sobreira.

Iniciou-se uma troca de correspondências edificante. Ederson, após receber grande incentivo de Elias Sobreira que à época contava mais de setenta anos, decidiu fundar uma Escola do Quilo no Rio de Janeiro.

Em 1980 Ederson esteve em Recife, visitou a Escola do Quilo de Pernambuco, Casa dos Espíritas, Núcleo Espírita Investigadores da Luz, Lar Ceci Costa, Casa dos Humildes e principalmente fez diversas entrevistas com Elias Sobreira.

O resultado desses contatos foi a efetiva fundação da Escola Central da Campanha do Quilo do Rio de Janeiro. Em dezembro de 1981, partiu uma caravana de trabalhadores da Escola do Quilo de Pernambuco: Heleno Vidal, Isoláquio Mustafa Filho, Louise Mustafa, Luzinete Oliveira, Rivaldo Melo, Lenilda Melo, Vera Lúcia Gonçalves para visitar a ainda jovem instituição carioca.

O grupo teve oportunidade de participar de debates com os legionários de diversas instituições do Rio de Janeiro, inclusive do Abrigo Creche Nazareno, berço da campanha do quilo no Brasil.

Os anos rolaram e neste mês de Junho/2012, o companheiro Isoláquio visitou a Escola Central da Campanha do Quilo do Rio de Janeiro e o Abrigo Creche Nazareno. Encontrou a Escola com uma bela, apesar de simples, sede no bairro de Paciência.


Placa da Escola do Quilo do Rio de Janeiro



Deixou-se retratar junto ao atual presidente da instituição, o companheiro Orlando verificou que os trabalhos de amor ao próximo estão vivos e que há uma grande necessidade de união dos trabalhadores do quilo no Brasil.




Isoláquio visitou o Abrigo Nazareno, hoje transformado em uma instituição para onde convergem eventos interinstitucionais espíritas e onde se presta belo trabalho de educação e de orientação moral para crianças da redondeza. O Abrigo Nazareno também mantém diversas atividades doutrinárias.






Nessa segunda visita, tivemos o apoio fraterno e incondicional do diretor da Escola do Quilo do Rio de Janeiro, Wellington Carvalho. Abaixo, foto do Wellington quando visitava o Abrigo Nazareno:



E, foi com o coração tomado de júbilo que Isoláquio comunicou-se com Ederson Pereira Silva. Não foi possível um contato pessoal, tendo em vista que Isoláquio tinha apenas um dia no Rio e que Ederson atualmente mora a grande distância, no bairro de Jacarepaguá. A comunicação foi via telefônica e Isoláquio testemunhou que, mesmo portador de deficiência visual que o impede de ler, Ederson continua um entusiasta do bem; amigo, fraterno e otimista.

sábado, 9 de junho de 2012

Campanha recomendada

Aos segundos domingos de cada mês, várias instituições promovem a campanha do quilo. Hoje, apresentamos a Creche do Cenáculo Espírita Casa de Maria, onde se realiza a campanha aos segundos e quartos domingos de cada mês.


Reunimo-nos às 08h00 da manhã para a reunião preparatória, necessária para todo o participante, e retornamos à sede do Cenáculo às 11h00 para apuração, registro da arrecadação e prece final.

Todos estão convidados.

O Cenáculo localiza-se à Rua Marquês de Baependi, 219 em Campo Grande - Recife - PE.

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Busca do equilíbrio interior



A partir do próximo dia 15, Isoláquio, se Deus assim o permitir, representará a Fraternidade do Quilo em algumas instituições do Rio de Janeiro, da Holanda e da Alemanha.

Está prevista uma palestra no GEON - Grupo Espírita O Nazareno, localizado na cidade de Enschede - Holanda. A palestra será em português, mas será acompanhada por Mateus Heezen, espírita residente na Holanda, que possui dupla nacionalidade - brasileira e holandesa, que fará tradução simultânea. Isoláquio propôs incluir na palestra a seguinte vivência:


Por volta de 1989, estive em uma grande cidade brasileira, uma capital de estado, em missão profissional.
Durante as noites e os finais de semana procurava reuniões espíritas. Certa noite, proferi uma palestra na sede da Federação Esírita do Estado a que me refiro, havia poucas pessoas na platéia. Falei sobre o Espiritismo e sobre a campanha do quilo, fiz a divulgação do livro de Elias Sobreira – A Campanha do Quilo ou o Bom Combate.
Um jovem presente, após a reunião interessou-se pela campanha do quilo. Entreguei-lhe um exemplar do livro de Elias Sobreira.
Um ano depois o cidadão a quem eu havia entregue o livro esteve em Recife, entrou em comunicação comigo. Desejava conhecer Elias Sobreira. Dirigimo-nos, após contato telefônico, à residência de Sobreira que, à época, contava mais de setenta anos. O rapaz disse que havia lido o livro e gostaria de fazer a campanha. Sobreira como sempre dirigiu acaloradas palavras de incentivo ao jovem.
Três anos depois voltei à cidade onde residia o leitor do Livro “O Bom Combate”. Ele havia fundado uma instituição espírita especializada na prática do Bem. Uma vez por mês, em um domingo pré-agendado, realizava a campanha do quilo, em outro domingo, também uma vez por mês, reunia em suas dependências os mendigos da rua. Banhava-os, cortava-lhes o cabelo, oferecia roupas, alimentos e instrução moral. Uma vez por semana, reunia os amigos, preparava um caldeirão de sopa e saía distribuindo nas ruas para os pobres.
Quatro anos depois, retornei àquela instituição. Era uma sexta-feira, havia um grupo de pessoas preparando dois caldeirões de sopa, reuniam-se alegremente, conversavam. Explicavam-me que a sopa só ficava preparada por volta das 21 horas. Quando o relógio marcou 21 hs, reuniram-se proferiram uma prece e saíram às ruas com os caldeirões nos porta-malas dos carros dos voluntários, um violão para cantarem com os mendigos e fazerem preces cantadas.
Ajudei a colocar um dos caldeirões em um dos automóveis; uma das voluntárias estava com fome, pegou um recipiente e retirou um pouco de sopa para si. A noite estava esplêndida. Céu estrelado, limpo. Demandamos praças e ruas. Entramos em uma delegacia de polícia, visitamos uma sela superlotada. Falamos aos penitentes de amor, Evangelho e Esperança. Oferecemos sopa. Eles aceitaram. Foi recomendado às voluntárias do sexo feminino que mantivessem distância das selas, de modo a não serem alcançadas pelos detentos.
Fizemos uma oração, prosseguimos nas ruas. Mais adiante em uma praça, os voluntários com mãos dadas formaram um círculo. Convidamos mendigos, para aproximarem-se. Duas pobres jovens que ganhavam a vida vendendo prazeres, andavam nas proximidades; convidâmo-las para participarem da oração e depois da sopa. Umas das jovens usava roupas exageradamente sensuais. Independentemente da posição ou forma de ganhar a vida, recebemos todos como irmãos. Chamou-me a atenção o fato de uma senhora voluntária segurava as mãos de uma daquelas irmãs, daquela mesma que, chamava a atenção pelos seus trajes. Fizemos uma prece, lemos um mensagem, cantamos uma música cristã. Oferecemos sopa que foi aceita pelos necessitados.
Considerei uma bela atitude nessa cidade, localizada em uma região onde havia muitos preconceitos, uma senhora de destaque social, professora universitária, após oferecer-se para distribuir alimentos ao pobres recebe com carinho e naturalidade as irmãs, que por serem vítimas do egoísmo e do sensualismo de nossa sociedade, entregam-se à única forma de sobrevivência que estivera ao seu alcance, o comércio do próprio corpo.

Visitamos diversos mendigos e finalmente chegamos ao local onde a última refeição seria servida. Era uma praça, havia muitos mendigos. Aproximamo-nos deles. O céu estava inspirador, cheio de estrelas; beirava a meia noite. Chamamos os mendigos, distribuímos as sopas, exceto uma jovem pobre, os necessitados receberam a sopa, a quantidade não foi suficiente para atender a todos.

O dirigente da reunião após entoar uma bela canção cuja letra era a oração de São Francisco, pediu que eu lesse a mensagem. Estava diante da jovem que não havia recebido a sopa. Observei-a. Era uma mulher derrotada pelo desprezo e pelo alcoolismo. Possuía uma expressão de inocência. Cabelos desgrenhados, mal tratados, sujos, corpo também mal tratado. Meu coração havia sido tocado de compaixão por aquela mulher. Disse-lhe: eu te ofereço essa mensagem. Antes mesmo que eu começasse a ler a mensagem, um fluxo de lágrimas brotou dos seus olhos. Enquanto lia a mensagem psicografada por Chico Xavier ela baixava a cabeça e chorava silenciosamente. Ao terminar a leitura, perguntei se poderia dar-lhe um abraço fraterno. Ela consentiu, abraçei-a. Ela chorou mais e me agradeceu. Não pude ofertar nada para ela exceto o abraço fraterno e a leitura da mensagem.

Ao encerramento dos trabalhos, pedi carona a um dos trabalhadores; eu estava hospedado em um bairro distante. No dia seguinte meditei: que sensação de felicidade sinto. Todos os meus problemas são pequenos; como a caridade e a beneficência inundam nosso coração de luz e de saúde, e impedem que a tristeza e que todos os distúrbios emocionais, visitem nossos sentimentos!
Por isso disse Jesus:
"Vinde a mim vós todos que vos achais fatigados e sobrecarregados e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o  meu jugo, aprendei de mim que sou manso e humilde de coração e encontrareis repouso para vossas almas. Porque, o meu jugo é suave e o meu fardo é leve." MATHEUS - Cap. XI v. 28-30.

Obrigado Jesus.

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Extensões da Campanha do Quilo.


A atividade da campanha do quilo dá margem ao desenvolvimento de outras tarefas beneméritas. Sempre que encontramos pessoas em miseráveis condições, doentes, acamadas, necessitadas de assistência, mandam as normas que devemos anotar nome e endereço, levar à escola do quilo para as providências cabíveis.

Nos dias de hoje, como o movimento da campanha cresceu muito, costuma-se levar ao conhecimento da instituição espírita promotora da campanha. Assim, as ações de amor ao próximo já intensas e meritórias durante a campanha, se ampliam. Podemos aliviar a dor. A campanha favorece, como nenhuma outra atividade a possibilidade de identificação do sofrimento humano. É evidente que abordar a todos nas ruas, a todas as residências que estiverem ao nosso alcance, constitui a genuína pesquisa de campo dos que precisam de ajuda.

Visitar os lares de idosos beneficiados ou não beneficiados pela campanha, é também ato de grande mérito e resulta em um bem estar celestial. Visitar as velhinhas nos abrigos, aplicar-lhes passe, aliviar perturbações, dores e até problemas de saúde é outra linda extensão da campanha do quilo. Visitar creches, participar, com humildade da administração dessas instituições é grande contribuição para construção de um mundo melhor.

Pessoas que, gostariam de realizar obras beneméritas mas, por diversas razões não realizam a campanha, podem participar das Extensões da Campanha do Quilo. Grandes ações de amor são efetivadas. Deus, neste momento disponibiliza oportunidades preciosíssimas aos que desejam melhorar seu proceder, reduzir o Egoísmo e o Orgulho; ampliar o amor e a fraternidade em si mesmos.

domingo, 6 de maio de 2012

Mensagem - Sugestão para impressão

Caros amigos, enviamos sugestão de mensagem em homenagem ao dia das mães. Essa sugestão é dirigida principalmente para as instituições espíritas que mandam imprimir mensagens para distribuição na campanha do quilo.

A título de recordação, esses panfletos deverão constar o nome do autor e, se for o caso, do médium receptor, o livro de onde foi extraída a mensagem, bem como a editora detentora dos direitos autorais do livro.

Pode-se acrescentar umas três linhas com o nome, endereço e os dias de reuniões públicas da instituição espírita responsável pela impressão.


Eis nossa sugestão:




EM LOUVOR DAS MÃES

Emmanuel


O lar é a célula ativa do organismo social e a mulher, dentro dele, é a força
essencial que rege a própria vida.
Se a criança é o futuro, no coração das mães que repousa a sementeira de todos os bens e de todos os males do porvir.
O homem é o pensamento.
A mulher é o ideal.
O homem é a oficina.
A mulher é o santuário.
O homem realiza.
A mulher inspira.
Compreender a gloriosa missão da alma feminina, no soerguimento na Terra, é apostolado fundamental do Cristianismo renascente em nossa Doutrina Consoladora.
Auxiliar, assim, o espírito materno, no desempenho de sua tarefa sublime, constitui obrigação primária de todos nós que abraçamos nos Centros Espíritas novos lares de idealismo superior e que buscamos na Boa Nova do Divino Mestre a orientação maternal para a renovação de nossos destinos.
Nesse sentido, se nos cabe reconhecer no homem o condutor da civilização e o mordomo dos patrimônios materiais na gleba planetária, não podemos esquecer que na mulher devemos identificar o anjo da esperança, ternura e amor, a descer para ajudar, erguer e salvar nos despenhadeiros da sombra, oferecendo-nos, no campo abençoado da luta regenerativa, novos tabernáculos de serviço e purificação.
Glorifiquemos, desse modo, o ministério santificante da maternidade na Terra, recordando que o Todo-Misericordioso, quando se designou enviar ao mundo o seu mais sublime legado para o aperfeiçoamento e a elevação dos homens, chamou um coração de mulher, em Maria Santíssima, e, através das suas mãos devotadas à humanidade e ao bem, à renunciação e ao sacrifício, materializou para nós o coração divino de Nosso Senhor Jesus Cristo, a luz de todos os séculos e o alvo de redenção da Humanidade inteira.

Mensagem extraída do Livro Cartas do Coração – psicografado por F C Xavier – Editora – LAKE – Livraria Allan Kardec Editora.)

NOME DA INSTITUIÇÃO ESPÍRITA
ENDEREÇO
DIAS E HORÁRIOS DE REUNIÕES PÚBLICAS.


Interessante lembrar que, se não for possível distribuir todas as mensagens impressas nas campanhas do quilo, até os últimos dias do período de homenagens, o dirigente da campanha, poderá organizar grupos de trabalhadores para distribuir as mensagens nas ruas, independentemente da realização da campanha.

sábado, 28 de abril de 2012

Espaço do legionário

A campanha do quilo é um trabalho redentor.
Para frente legionários, com assiduidade e amor!

Com os sacos brancos às costas,
Palmas às portas a bater,
Cumpre o legionário, com amor,
Seu verdadeiro dever.

Mensagem inspirada a Leandro Augusto da Silva

sábado, 21 de abril de 2012

UM CASO DE PREVENÇÃO DO SUICÍDIO



Um método de trabalho adotado pela Fraternidade do Quilo, baseado na ação de Elias Sobreira é visitar  instituições espíritas com o objetivo de incentivar a campanha do quilo. Atualmente, ainda adotamos essa forma de trabalho, que resulta em benefícios espirituais e materiais em favor dos necessitados.

Nessas visitas, encontramos companheiros, já experientes no trabalho que nos relatam casos em que, algumas pessoas foram dissuadidas de ideias suicidas durante a campanha do quilo.
Recentemente, estivemos visitando um grupo de valorosos trabalhadores do Espiritismo e da Campanha do Quilo. Conversávamos com a dirigente da campanha, quando, sem que levantássemos o tema do suicídio, ela nos relatou que durante a realização da campanha do quilo em favor de uma instituição assistencial espírita, bateu à porta de uma bela e confortável residência. A legionária lançou o apelo em favor dos necessitados. Abordada, uma senhora residente explicou que se encontrava em situação desesperadora e que logo mais iria tomar banho, preparar-se e em seguida incendiar a própria casa.

A nossa amiga trabalhadora da campanha, nos disse: pedi licença para adentrar a residência; a partir daí, “acabou-se” a campanha: vinte ou trinta minutos restantes foram usados para conversas e desabafos. Essa senhora, apesar da situação de aparente tranquilidade, queixava-se continuamente da situação financeira. Percebia-se em sua expressão, um emaranhado de problemas de ordem patológica e emocional;  destacava com ênfase que vivia muitos problemas financeiros.

Após a dona da casa relacionar suas dificuldades, a legionária sempre trazendo uma palavra de esperança, de fé, demoveu a senhora da idéia insana do suicídio.
De nossa parte, procuramos fazer preces pela irmã deprimida. Recomendamos à legionária que prosseguisse realizando vibrações e preces em nome de Jesus.

Acreditamos que a senhora, antes desesperada e triste encontrou uma tábua de salvação por meio da campanha do quilo.

Suponhamos que, naquele dia, o centro espírita, por razões não justificadas, decidisse não realizar os pedidos de porta em porta. Poderíamos ter a tristíssima notícia de um suicídio e de várias residências incendiadas, dado que a senhora, que alimentava pensamentos autocidas, reside em uma habitação em meio a muitas outras casas conjugadas.

Agradeçamos pois ao Senhor da Vida que nos ofereceu a Campanha do Quilo como valiosa atividade que divulga o bem, consola os sofredores, leva a fé aos incrédulos e a esperança aos desesperados.

A bem da verdade, a campanha do quilo não acabou quando a legionária interrompeu a atividade de pedir por que consolar desesperados, conduzi-los a um estado de espírito sereno e confiante é um dos maiores objetivos da campanha.

A nossa amiga dirigente da campanha do quilo concluiu: “nunca a humanidade precisou tanto de Deus quanto agora! Feliz dessa senhora por alguém lhe ter batido à sua porta num instante crucial. Este tema (suicídio) deveria ser muito debatido nos centros espíritas."

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Homenagem da Fraternidade do Quilo ao Livro dos Espíritos

A Doutrina Espírita

O Editor Dentu acaba de publicar uma obra deveras notável; diríamos mesmo bastante curiosa, mas há coisas que repelem toda qualificação banal.  


O Livro dos Espíritos, do Sr. Allan Kardec, é uma página nova do grande livro do infinito, e estamos persuadidos de que um marcador assinalará essa página. Ficaríamos desolados se pensassem que acabamos de fazer aqui um anúncio bibliográfico; se pudéssemos supor que assim fora, quebraríamos nossa pena imediatamente. Não conhecemos absolutamente o autor, masconfessamos abertamente que ficaríamos felizes em conhecê-lo. Aquele que escreveu a introdução que inicia O Livro dos Espíritos deve ter a alma aberta a todos os sentimentos nobres. 


Aliás, para que não se possa suspeitar de nossa boa-fé e nos acusar de tomar partido, diremos com toda sinceridade que jamais fizemos um estudo aprofundado das questões sobrenaturais. Apenas, se os fatos que se produziram nos causaram admiração, pelo menos jamais nos levaram a dar de ombros. Somos um pouco dessas pessoas que se chamam de sonhadores, porque não pensamos absolutamente como todo o mundo. A vinte léguas de Paris, à noite sob as grandes árvores, quando não tínhamos em torno de nós senão choupanas esparsas, pensávamos naturalmente em qualquer coisa, menos na Bolsa, no macadame dos bulevares ou nas corridas de Longchamp. Diversas vezes nos interrogamos, e isto muito tempo antes de ter ouvido falar em médiuns, o que haveria de passar no que se convencionou chamar o Alto. Outrora chegamos mesmo a esboçar uma teoria sobre os mundos invisíveis, guardando-a cuidadosamente para nós, e ficamos muito felizes de reencontrá-la quase por inteiro no livro do Sr. Allan Kardec.


 A todos os deserdados da Terra, a todos os que caminham e caem, regando com suas lágrimas o pó da estrada, diremos: Lede O Livro dos Espíritos; isso vos tornará mais fortes. Também aos felizes, aos que pelos caminhos só encontram os aplausos da multidão ou os sorrisos da fortuna, diremos: Estudai-o; ele vos tornará melhores.


O corpo da obra, diz o Sr. Allan Kardec, deve ser reivindicado inteiramente pelos Espíritos que o ditaram. Está admiravelmente classificado por perguntas e por respostas. Algumas vezes, estas últimas são sublimes, e isto não nos surpreende; mas, não foi preciso um grande mérito a quem as soube provocar?
Desafiamos a rir os mais incrédulos quando lerem este livro, no silêncio e na solidão. Todos honrarão o homem que lhe escreveu o prefácio.   


A doutrina se resume em duas palavras: Não façais aos outros o que não quereríeis que vos fizessem. Lamentamos que o Sr. Allan Kardec não tenha acrescentado: e fazei aos outros o que gostaríeis que vos fosse feito. O livro, aliás, o diz claramente e a doutrina, sem isto, não estaria completa. Não basta não fazer o mal; é preciso também fazer o bem. Se apenas sois um homem de bem, não tereis cumprido senão a metade do vosso dever. Sois um átomo imperceptível desta grande máquina que se chama mundo, onde nada deve ser inútil. Sobretudo, não nos digais que se pode ser útil sem fazer o bem; vernos-íamos forçados de vos replicar por um volume. 


Lendo as admiráveis respostas dos Espíritos na obrado Sr. Kardec, dissemos a nós mesmos que haveria um belo livro a escrever. Bem depressa reconhecemos que nos havíamos enganado: o livro já está escrito. Apenas o estragaríamos se tentássemos completá-lo.
Sois homem de estudo e possuís a boa-fé, que não pede senão para se instruir? Lede o Livro Primeiro sobre a Doutrina Espírita. 


Estais colocado na classe dos que só se ocupam consigo mesmos e que, como se diz, fazem os seus pequenos negócios muito tranqüilamente, nada vendo além dos próprios interesses? Lede as
Leis Morais.


 A desgraça vos persegue com furor, e a dúvida vos envolve, por vezes, com o seu abraço gelado? Estudai o Livro Terceiro: Esperanças e Consolações.  


Todos vós que abrigais nobres pensamentos no coração e que acreditais no bem, lede o livro do começo ao fim. 


Se alguém nele encontrasse matéria para zombaria, nós o lamentaríamos sinceramente.

G. du Chalard

(Revista Espírita – Jan/1858) – Tradução Evandro Noleto Bezerra – edição - FEB

domingo, 15 de abril de 2012

Destinação da arrecadação da campanha do quilo


Atualmente, os Estatutos da Fraternidade admitem a realização de campanha do quilo para assistir a comunidades carentes. Anteriormente é que se fazia campanha exclusivamente para creches e lares de idosos.

Dessa forma, se a diretoria da instituição desejar, poderá realizar a campanha para as famílias carentes. Para que essa campanha seja adesa à Fraternidade, é necessário apresentar um pedido formal. A Fraternidade fornecerá crachás e um talão de ata que será preenchido com o total da arrecadação em dinheiro e em gêneros ao final de cada campanha. Anualmente as instituições adesas enviam um relatório com resumo das arrecadações, o trabalho realizado e solicitação de renovação da adesão à Fraternidade.

As creches espíritas são instituições dirigidas por pessoas de boa vontade com o sentimento cristão de ajudar a crianças em condições de risco sócio-moral. Raros são os trabalhadores que se desprendem dos interesses transitórios para, abnegadamente, ampararem as crianças. Muitas atividades são necessárias ao bom desempenho da missão das creches.

Dirigentes, algumas vezes sentem-se sobrecarregados e é aí que se percebe a importância da campanha do quilo para essas instituições. Quando levamos o produto da campanha para as creches, estamos demonstrando solidariedade para com a luta nobre e difícil desses apóstolos do bem. Eles sentem como que os legionários do quilo fossem arrimos, apoios abençoados. Há, inclusive, alguns que dizem que sem a campanha do quilo a instituição não poderia subsistir.

Recorde-se o pensamento de um nobre vulto da Humanidade: Eduque-se as crianças hoje e não haverá necessidade de castigar os adultos amanhã.

DICA DO QUILO VI - Retorno à instituição promotora da campanha.

Por padrão, a campanha do quilo inicia-se às 08hs, realiza-se uma reunião preparatória de 30 min. Segue-se  a parte prática, nas ruas. Às 11 hs os trabalhadores deverão encerrar as atividades na praça pública e retornar à instituição que promove a campanha do quilo.

Necessário lembrar que, encerrados os pedidos, a campanha ainda não está encerrada. É necessário contar o dinheiro arrecadado, pesar os gêneros e material recolhido, consignar em ata, ou formulário distribuído pela Fraternidade do Quilo e enviar o produto da arrecadação com o formulário preenchido e assinado para a instituição beneficiada. Esse encerramento será motivo de detalhamento em próximo artigo.

Como dizíamos às 11hs os trabalhadores retornam à instituição patrocinadora. Todos deverão retornar para avaliar a arrecadação e fazer a prece final. Durante o retorno observa-se que muitas pessoas carregam pesos às vezes quase que insuportáveis; outros têm problemas de saúde. Por isso, alguns solicitam a ajuda dos companheiros.

Antes mesmo que os mais velhos e portadores de algum problema físico solicite, deve-se oferecer ajuda aos amigos sobrecarrecados. Havendo um automóvel que esteja disponível para levar o material recolhido, todos devem depositar no referido automóvel a arrecadação e rumarem para a instituição.

Deve-se evitar conversas paralelas e, até às 11hs todos devem manter-se empenhados no trabalho, pode-se continuar pedindo nas casas ou mesmo aos transeuntes. É preciso aproveitar o tempo disponível, se  deixarmos de abordar alguém, corremos o risco de não assistir pessoas necessitadas de uma mensagem e de exemplificação do bem; poderemos perder belíssimas oportunidades de ajudar o próximo em nome de Jesus. Lembremos que os contribuintes da campanha são muito beneficiados do ponto de vista espiritual, pois realizam um belo ato de caridade e de desprendimento.

terça-feira, 10 de abril de 2012

Aborto Criminoso


- Reconhecendo-se que os crimes do aborto provocada criminosamente surgem, em esmagadora maioria, nas classes mais responsáveis da comunidade terrestre, como identificar o trabalho expiatório que lhes diz respeito, se passam quase totalmente despercebidas da justiça humana?
Temos no Plano Terrestre cada povo com o seu código penal apropriado à evolução em que se encontra; mas, considerando o Universo em sua totalidade como Reino Divino, vamos encontrar o Bem do Criador para todas as criaturas, como Lei básica, cujas transgressões deliberadas são corrigidas no próprio infrator, com o objetivo natural de conseguir-se, em cada círculo de trabalho no Campo Cósmico, o máximo de equilíbrio o com respeito máximo aos direitos alheios, dentro da mínima pena.
Atendendo-se, no entanto, a que a Justiça Perfeita se eleva, indefectível, sobre o Perfeito Amor, no hausto de Deus "em nos que movemos e existimos", toda reparação, perante a Lei básica a que nos reportamos, se realiza em termos de vida eterna e não segundo a vida fragmentária que conhecemos na encarnação humana, porqüanto, uma existência pode estar repleta de acertos e desacertos, méritos e deméritos e a Misericórdia do Senhor preceitua, não que o delinqüente seja flagelado, com extensão indiscriminada de dor expiatória, o que seria volúpia de castigar nos tribunais do destino, invariavelmente regidos pela Eqüidade Soberana, mas sim que o mal seja suprimido de suas vítimas, com a possível redução do sofrimento.
Desse modo, segundo o princípio universal do Direito Cósmico a expressar-se, claro, no ensinamento de Jesus que manda conferir "a cada um de acordo com as próprias obras", arquivamos em nós as raízes do mal que acalentamos para extirpá-las à custa do esforço próprio, em companhia daqueles que se no afinem à faixa de culpa, com os quais, perante a Justiça Eterna, os nossos débitos jazem associados.
Em face de semelhantes fundamentos, certa romagem na carne, entremeada de créditos e dívidas, pode terminar com aparências de regularidade irrepreensível para a alma que desencarna, sob o apreço dos que lhe comungam a experiência, seguindo-se de outra em que essa mesma criatura assuma a empreitada do resgate próprio, suportando nos ombros as conseqüências das culpas contraídas diante de Deus e de si mesma, a fim de reabilitar-se ante a Harmonia Divina, caminhando, assim, transitoriamente, ao lado de Espíritos incursos em regeneração da mesma espécie.
É dessa forma que a mulher e o homem, acumpliciados nas ocorrências do aborto delituoso, mas principalmente a mulher, cujo grau de responsabilidade nas faltas dessa natureza é muito maior, à frente da vida que ela prometeu honrar com nobreza, na maternidade sublime, desajustam as energias psicossomáticas, com mais penetrante desequilíbrio do centro genésico, implantando nos tecidos da própria alma a sementeira de males que frutescerão, mais tarde, em regime de produção a tempo certo. Isso ocorre não somente porque o remorso se lhes entranhe no ser, à feição de víbora magnética, mas também porque assimilam, inevitavelmente, as vibrações de angústia e desespero e, por vezes, de revolta e vingança dos Espíritos que a Lei lhes reservara para filhos do próprio sangue, na obra de restauração do destino.
No homem, o resultado dessas ações aparece, quase sempre, em existência imediata àquela na qual se envolveu em compromissos desse jaez, na forma de moléstias testiculares, disendocrinias diversas, distúrbios mentais, com evidente obsessão por parte de forças invisíveis emanadas de entidades retardatárias que ainda encontram dificuldade para exculpar-lhes a deserção.
Nas mulheres, as derivações surgem extremamente mais graves. O aborto provocado, sem necessidade terapêutica, revela-se matematicamente seguido por choques traumáticos no corpo espiritual, tantas vezes quantas se repetir o delito de lesa-maternidade, mergulhando as mulheres que o perpetram em angústias indefiníveis, além da morte, de vez que, por mais extensas se lhes façam as gratificações e os obséquios dos Espíritos Amigos e Benfeitores que lhes recordam as qualidades elogiáveis, mais se sentem diminuídas moralmente em si mesmas, com o centro genésico desordenado e infeliz, assim como alguém indebitamente admitido num festim brilhante, carregando uma chaga que a todo instante se denuncia.
Dessarte, ressurgem na vida física, externando gradativamente, na tessitura celular de que se revestem, a disfunção que podemos nomear como sendo a miopraxia do centro genésico atonizado, padecendo, logo que reconduzidas ao curso da maternidade terrestre, as toxemias da gestação. Dilapidado o equilíbrio do centro referido, as células ciliadas, mucíparas e intercalares não dispõem da força precisa na mucosa tubária para a condução do óvulo na trajetória endossalpingeana, nem para alimentá-lo no impulso da migração por deficiência hormonal do ovário, determinando não apenas os fenômenos da prenhez ectópica ou localização heterotópica do ovo, mas também certas síndromes hemorrágicos de suma importância, decorrentes da nidação do ovo fora do endométrio ortotópico, ainda mesmo quando já esteja acomodado na concha uterina, trazendo habitualmente os embaraços da placentação baixa ou a placenta prévia hemorragipara que constituem, na parturição, verdadeiro suplício para as mulheres portadoras do órgão germinal em desajuste.
Enqüadradas na arritmia do centro genésico, outras alterações orgânicas aparecem, flagelando a vida feminina como sejam o descolamento da placenta eutópica, por hiperatividade histolítica da vilosidade corial; a hipocinesia uterina, favorecendo a germicultura do estreptococo ou do gonococo, depois das crises endometríticas puerperais; a salpingite tubercuksa; a degeneração cística do córto; a salpingooforite, em que o edema e o exsudato fibrinoso provocam a aderência das pregas da mucosa tubária, preparando campo propício às grandes inflamações anexiais, em que o ovário e a trompa experimentam a formação de tumores purulentos que os identificam no mesmo processo de desagregação; os síndromes circulatórios da gravidez aparentemente normal, quando a mulher, no pretérito, viciou também o centro cardíaco, em conseqüência do aborto calculado e seguido por disritmia das forças psicossomáticas que regulam o eixo elétrico do coração, ressentindo-se, como resultado, na nova encarnação e em pleno surto de gravidez, da miopraxia do aparelho cardiovascular, com aumento da carga plasmática na corrente sangüínea, por deficiência no orçamento hormonal, daí resultando graves problemas da cardiopatia conseqüente.
Temos ainda a considerar que a mulher sintonizada com os deveres da maternidade na primeira ou, às vezes, até na segunda gestação, quando descamba para o aborto criminoso, na geração dos filhos posteriores, inocula automaticamente no centro genésico e no centro esplênico do corpo espiritual as causas sutis de desequilíbrio recôndito, a se lhe evidenciarem na existência próxima pela vasta acumulação do antígeno que lhe imporá as divergências sangüíneas com que asfixia, gradativamente, através da hemólise, o rebento de amor que alberga carinhosamente no próprio seio, a partir da segunda ou terceira gestação, porque as enfermidades do corpo humano, como reflexos das depressões profundas da alma, ocorrem dentro de justos períodos etários.
Além dos sintomas que abordamos em sintética digressão na etiopatogenia das moléstias do órgão genital da mulher, surpreenderemos largo capítulo a ponderar no campo nervoso, à face da hiperexcitação do centro cerebral, com inquietantes modificações da personalidade, a ralarem, muitas vezes, no martirológio da obsessão, devendo-se ainda salientar o caráter doloroso dos efeitos espirituais do aborto criminoso, para os ginecologistas e obstetras delinqüentes.
- Para melhorar a própria situação, que deve fazer a mulher que se reconhece, na atualidade, com dívidas no aborto provocado, antecipando-se, desde agora, no trabalho da sua própria melhoria moral, antes que a próxima existência lhe imponha as aflições regenerativas?
- Sabemos que é possível renovar o destino todos os dias.
Quem ontem abandonou os próprios filhos pode hoje afeiçoar-se aos filhos alheios, necessitados de carinho e abnegação.
O próprio Evangelho do Senhor, na palavra do Apóstolo Pedro, advertenos quanto à necessidade de cultivarmos ardente caridade uns para com os outros, porque a caridade cobre a multidão de nossos males (1a. Epístola à Pedro, capítulo 4, versículo 8).
XAVIER, Francisco Cândido; VIEIRA, Waldo. Evolução em Dois Mundos. Pelo Espírito André Luiz. FEB. Capítulo 34

Pode-se concluir que a prática contínua e persistente do bem, o amparo às crianças necessitadas, a ajuda a orfanatos, creches e famílias pobres pode amenizar as consciências daqueles que nesta e em outras vidas provocaram o terrível crime do aborto.

segunda-feira, 19 de março de 2012

SUICÍDIO – UMA ANÁLISE ESPÍRITA



Autocídio, ou suicídio – ato de tirar a própria vida. O Espiritismo, que é a ciência que estuda os espíritos, sua origem, evolução, destino bem como os meios de comunicação que estes possuem de comunicar-se com o mundo corporal, com o nosso mundo, nos ensinam como avaliar esse ato.

Espíritos de suicidas têm se comunicado desde os primeiros tempos do Espiritismo. Encontramos manifestações de suicidas na Revista Espírita, no Céu e no Inferno, etc. Além das comunicações propriamente ditas, existem análises doutrinárias sobre o tema em O Livro dos Espíritos e em O Evangelho Segundo o Espiritismo.

Há um trabalho mediúnico particularmente interessante intitulado “Memórias de um Suicida” de autoria de Camilo Castelo Branco e enriquecido com conceitos espíritas pelo filósofo poeta León Denis. Esses autores desencarnados transmitiram essa obra por intermédio da mediunidade de Ivone do Amaral Pereira.

Trata-se, portanto de fontes riquíssimas de informações, de fatos muito bem descritos e, há, inclusive alguns averiguados e cujas descrições contidas nas mensagens mediúnicas foram comprovadas por ulteriores investigações (veja-se, por exemplo em O Céu e o Inferno – Francois Simon Louvet).

Como o Espiritismo vê o suicídio?

Como um enorme crime. Ninguém tem o direito de dispor da própria vida. A nossa existência pertence a Deus; somente o Criador pode tirá-la. As consequências do suicídio, no mundo espiritual são terríveis. A necessidade da vida corporal cortada intempestivamente gera sensações tenebrosas. Em alguns casos, os espíritos sofrem como que uma repercussão do estado corporal, sentem os horrores da decomposição e por vezes a sensação de os vermes roerem a própria carne.

O que pode ser feito para confortar, amenizar os grandes padecimentos dos suicidas?

A melhor atitude que podemos adotar em favor do conforto dos suicidas é a prece. A prece do coração, sentida, profunda, dirigida em nome de Deus, aos suicidas. Dizem os espíritos dos suicidas que a prece é como que um orvalho a suavizar suas aflições. Nas reuniões de mediunidade, por vezes, comunicam-se espíritos suicidas que são confortados por meio da palavra fraterna dos espíritos amigos, bem como da utilização dos recursos fluídicos oferecidos pelos encarnados.

Quais as causas, as motivações do suicídio? Que condições representam maior risco de suicídio?

Allan Kardec, em O Evangelho Segundo o Espiritismo nos ensina que a falta de fé no futuro, na continuidade da vida é uma situação que fragiliza o ser diante das provações e das decepções. Nessa circunstância, o homem se encontra mais exposto a cair na loucura ou no suicídio. Diz o Codificador: “A incredulidade, a simples dúvida sobre o futuro, as ideias materialistas, numa palavra, são os maiores incitantes ao suicídio” - Evangelho Segundo o Espiritismo - Cap V – nr 16 – 123° edição FEB – Tradução de Guillon Ribeiro.

Análises estatísticas indicam que os transtornos psicológicos, o uso de drogas, de álcool, rede social restrita, acesso aos meios de autodestruição (armas, venenos, etc), comportamento sexual (LBGT, solteiros), ociosidade, representam riscos ao suicídio.
( http://pt.wikipedia.org/wiki/Suicídio ). As obsessões são também fatores importantes de risco.

O que o Espiritismo pode fazer para contribuir com a prevenção do suicídio?

A divulgação do Espiritismo é a melhor forma de prevenir o suicídio. O Espiritismo infunde uma fé sólida aos que se dedicam aos estudos sério e continuado dessa magnífica Doutrina. Além disso, o movimento espírita oferece oportunidades de trabalhos voluntários que fornecem um sentido útil e até mesmo elevado à vida. Na Fraternidade do Quilo, por exemplo há oportunidades de trabalho voluntário como visitas a hospitais, assistência a famílias carentes, trabalhos em favor de creches e lares de idosos. As pessoas que aderem a esses trabalhos passam a usufruírem de uma alegria interior duradoura que conforta e ajuda decisivamente na superação de tristezas e decepções.

Como a campanha do quilo pode atuar no sentido de prevenir e de tratar o suicídio?

A campanha do quilo, constitui-se em um exercício dos ensinos morais do Cristo - por meio da campanha podemos exercitar a humildade, a caridade e o amor ao próximo. A ação de perdir a quem tem para dar a quem falta o necessário, com o sentimento de fraternidade, espalha energias purificadas no ambiente em que atua. Leva bons exemplos e bons fluidos às pessoas, aos lares, aos ambientes públicos, às favelas, aos prédios de apartamentos. Muitos dos que recebem essas influências, são desviados dos atos nefastos do suicídio, pois perseguidores espirituais que, ao longo do tempo adquiriram domínio sobre o pensamento e o sentimento de suas vítimas, adotam a estratégia de convencerem gradualmente; utilizam técnicas de hipnotismo que vão paralisando a razão e o discernimento dos obsidiados ao longo do tempo. As boas influências e as mensagens distribuídas pela campanha do quilo contribuem para reduzir a atuação de espíritos perigosos sobre mentes frágeis.

As mensagens também representam um convite ao estudo do Espiritismo. E a campanha do quilo é a maior estrutura de distribuição de mensagens existente nos dias de hoje. Durante uma campanha do quilo, pode-se distribuir centenas ou mesmo milhares de mensagens. Trata-se de uma ação massiva e muito benéfica.

Além disso, nos trabalhos preparatórios e durante as atividades nas ruas, espíritos sofredores, alguns suicidas, observam as palavras e as atitudes dos legionários, recebem as vibrações de amor, de desinteresse emanadas por essa atividade cristã e sentem importante alívio em seus padecimentos.

Diante de tudo o que foi dito, podemos concluir que a campanha do quilo é um poderoso se não o mais poderoso recuso preventivo contra o suicídio.

domingo, 22 de janeiro de 2012

OPINIÕES, IDÉIAS PARA O MOVIMENTO ESPÍRITA

Que a Paz de Jesus esteja conosco. Meus irmãos, observamos em todos os ambientes de direção do movimento espírita, a exposição de ideias e opiniões, quase todas, se não todas, muito bem intencionadas e que visam algumas vezes à expansão, outras à preservação da qualidade do ensino e do movimento espíritas.

Nesse contexto, ocorrem, algumas vezes, divergências nas posições dos responsáveis pela condução dos trabalhos. Alguns acreditam que ações mais expansivas de divulgação devem ser adotadas imediatamente, outros que o grupo ainda não está apto para certas realizações, acreditam que se deve preparar melhor os recursos.

Posição que precisa ser adotada, com urgência é a firmatura do compromisso de fraternidade e de entendimento entre os responsáveis pela ação consoladora e educativa.

Sugerimos que cada dirigente de instituição, do presidente ao mais humilde cooperador, lembrem-se de Jesus, quando lavou os pés dos discípulos e nos transmitiu a inolvidável lição da Humildade e lecionou: quem quiser ser o primeiro, sirva.

É bem verdade que temos o direito e algumas vezes, o dever de externar nossas opiniões; mas é urgente adotar como princípio que essa opinião, por bem intencionada que seja, ainda que mereça a qualificação de “boa idéia” não é a melhor ideia.

A melhor ideia é aquela construída coletivamente. Que não seja a mais expansiva no momento, a que atinge maior número de pessoas, mas que seja a melhor exequível. O Espiritismo é obra coletiva acima de tudo, lembremos Kardec quando adotou o método da concordância universal do ensino dos espíritos. Lembremos novamente o mestre lionês quando negou ao Espiritismo o título de Kardecismo; não se tratava de doutrina de Kardec, mas de uma coletividade.

Sempre que emitirmos pareceres sobre o destino do movimento espírita, conscientizemo-nos e repitamos em nosso íntimo: “essa me parece uma boa ideia, mas sei que não é a melhor ideia; necessito do concurso dos companheiros de boa vontade encarnados e do aval dos espíritos orientadores”. Esse aval, pode ser obtido por meio da intuição, após preces humildes e votos de submissão à vontade de Deus, e/ou por comunicações ostensivas.

Por outro lado é preciso que os ouvintes, os demais responsáveis pelas decisões, saibam que somos conscientes de que a ideia que externarmos é apenas um tijolo na construção de um movimento espírita melhor e que todos deverão dar suas contribuições.

Recordemos que essas contribuições serão em ideias, palavras, trabalho, aporte de recursos humanos e materiais e acima de tudo de exemplos de boa convivência, de amor e de fraternidade.

Tal o resultado que o espírita estudioso e participante de obras beneméritas quais a campanha do quilo deve esforçar-se por alcançar.

União, respeito, entendimento, amizade cristã.

Que Jesus estenda sua bênção sobre todos nós, trabalhadores humílimos da sua grandiosa seara.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

DICA DO QUILO V - Atitudes


A principal finalidade da campanha do quilo é divulgar o Evangelho com base na exemplificação. Quando dizemos Evangelho estamos nos referindo principalmente aos preceitos morais do Cristo; Humildade, Caridade, Amor ao Próximo, Perdão das ofensas, Tolerância, Paciência, Desprendimento dos bens terrenos....

E a maior parte da divulgação desses valores imortais e preciosos é a ação. Quando dizemos ação queremos abranger a atitude, as obras do bem, mas também a ação de falar no Bem de emitir pensamentos bons, cristãos. Referimo-nos também à emissão de ondas espirituais baseadas nos Bons Sentimentos

Tudo isso constitui a principal tarefa do legionário da campanha do quilo. Assim, ao abordarmos as pessoas quer estejam em casa, no trabalho ou passando nas ruas, a nossa atitude será invariavelmente benevolente, amiga, respeitosa. Palavras fraternas, sem exageros. Alíás, nas normas da campanha, pode-se observar orientações do tipo: “...ao abordar as pessoas fazê-lo com um leve sorriso.” Ou seja, necessário ser afável com um sorriso, mas essa atitude será discreta, leve.

Por isso, se alguém nos abordar com palavras desagradáveis, a nossa atitude será de benevolência, por palavras, gestos, pensamentos e sentimentos. Durante a campanha não é hora de discutir os erros dos outros e sim de exemplificar a Humildade e o Perdão. Isso vale também para os momentos em que formos agredidos com palavras ríspidas, humilhantes e agressivas. A atitude será “... retirar-se serenamente em oração, com o pensamento voltado para Jesus”.

Elias Sobreira recomenda que ao recebermos agressões verbais ou de qualquer outra espécie além de manter a calma, fazer como Jesus ensinou: pagar o mal com o bem. Se possível anotaremos o endereço da pessoa agressora e faremos preces por elas, pois certamente se trata de irmãos que merecem nossa piedade, são obsidiados. Os espíritos trabalhadores do bem dizem que não basta desculpar e esquecer as ofensas: é preciso uma atitude ativa – ao receber ofensas devolver o bem, com o espírito limpo de ressentimentos, com o único intuito de perdoar realmente, do fundo do coração.

Nada de querer converter as pessoas à nossa crença. Se tentarem nos convencer que a Doutrina Espírita está errada, agradecer os argumentos com palavras breves; alguns contraditores do Espiritismo podem, inclusive ser bem intencionados, mas evitar debates, afinal temos muitas casas a visitar, o trabalho da campanha não pode ser prejudicado por conversas improdutivas. Adiante nos esperam oportunidades de aprendizagem e de prática do Bem.

Antes de corrigir os outros, vamos fazer um exercício mental: indagar de nós próprios se não merecemos a crítica que dirigimos aos outros. E se for o caso de correção, se estivermos seguros que o conselho que transmitirmos se baseia na nossa exemplificação, corrijamos com indulgência, benevolência e discrição.
Durante a campanha, porém, a nossa correção será muito preponderantemente, expressa em atitudes e não em palavras.

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

DICA DO QUILO IV - Movimentação nas ruas

Nos momentos iniciais das atividades de rua, o dirigente distribuirá os participantes pela área a ser visitada. Dependendo do número de legionários deverá contar com coordenadores que terão o papel de orientar, tirar dúvidas e supervisionar o trabalho.

Tanto o dirigente, quanto os coordenadores deverão participar dos peditórios, mas deverão estar atentos à sua função que é mais geral, ligada à coordenação de um grupo de pessoas. Os coordenadores deverão privilegiar a ação de acompanhar, orientar, prestar apoio aos legionários, corrigi-los com brandura. Logicamente deverão pedir, mas não descuidará da tarefa de acompanhar, observar e apoiar.
Observará se todos estão com os sacos nas costas e as mochilas nas mãos, realizando o trabalho conforme as normas e orientações da campanha do quilo.

Se houver legionários novatos, terá o cuidado de mostrar como se deve dirigir às residências e às pessoas. O novato, antes de mais nada, observará os mais experientes em ação, após essa observação inicial é que deverá começar a abordagem às casas e às pessoas.

Não somente os dirigentes, mas também os coordenadores de equipes deverão procurar fazer parte dos estudos e eventos para dirigentes da campanha do quilo a serem executados sob o patrocínio da Fraternidade da Campanha do Quilo. Afinal, eles, efetuam trabalhos de direção e além disso são, em regra, substitutos naturais do dirigente.

Observará a movimentação do grupo, prestando especial atenção naqueles que se atrasarem e naqueles outros que imprimirem maior velocidade, cuidando para que ninguém se perca pelas ruas.

Os coordenadores alocarão os legionários conforme as ruas, praças e prédios a serem visitados. Nas áreas residencias onde haja mais casas do que prédios, recomendamos distribuir em equipes de 6 ou 8 pessoas sendo que 3 ou 4 pedirão em cada lado da rua. Quando uma das equipes encerrar os trabalhos de um lado da rua, deverão atravessá-la para ajudar os companheiros que ainda não encerraram o peditório na rua considerada.

Prédios acessíveis à campanha do quilo, devem ser visitados por mais de um legionário, conforme o número de apartamentos.

Caso haja casas fechadas, ao chegar-se à porta, bate-se duas vezes, espaçada e moderadamente. Caso não seja atendido, mantendo sempre o pensamento voltado para Jesus, passar para outra casa e assim por diante. Em outras palavras, todas as casas, lojas, apartamentos, que forem encontrados pelo caminho devem ser abordados. Até mesmo os pedestres serão abordados. Em todos os casos, os modos e tons do legionário serão cordiais, benevolentes e amigos.


quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

DICA DO QUILO III - Reunião preparatória

Antes de sair às ruas, o dirigente da campanha colherá as assinaturas dos trabalhadores em um formulário com duas vias (esse formulário é padrão e distribuído em talões pela Fraternidade Espírita da Campanha do Quilo, aos grupos de campanhas adesas).

Neste formulário constam campos para inserção dos dados referentes à realização da campanha do quilo como o nome da Creche ou do Lar de Idosos beneficiado, quantidade de gêneros expressa em quilogramas e quantidade de dinheiro arrecadado. Haverá também campos, ao lado da assinatura dos participantes, específicos para anotação dos números dos crachás que cada um portará durante o trabalho.

Digna de nota é a necessidade de o dirigente permanecer atento ao controle dos crachás. Esses crachás são identificadores da campanha autorizada a realizar o trabalho pela Fraternidade do Quilo. O dirigente terá o cuidado de guardar em lugar seguro os crachás, manter controle sobre todos eles, conferindo vez por outra a sequência numérica dos mesmos. Alertará os participantes para devolvê-los ao final da campanha. Esclarecerá que nenhum legionário poderá levar o crachá para casa porque essa atitude é contrária às orientações da Fraternidade do Quilo e fragilizam a vigilância da sobre a reglaridade dos trabalhos realizados em sua jurisdição.

Serão preenchidos os campos referentes à identificação da instituição beneficiária e à assinatura dos participantes, apenas as quantidades arrecadadas, a assinatura do dirigente da campanha e do representante da instituição beneficiada serão apostas ao final da campanha.

Se houver mensagens espíritas, estas deverão ser divididas entre os legionários para distribuição ao público.
Ao selecionar as mensagens os dirigentes de campanha darão prioridade, nesta ordem, àquelas que constem o nome e o endereço das instituições beneficiadas, que constem o nome e endereço da instituição patrocinadora e finalmente às demais mensagens.

Ao final da preparação e antes da saída às ruas, será proferida uma prece.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Um natal com amor

25 são as badaladas!
Anunciando a sua chegada.
É dia de alegria!
Nasceu o Messias.

Pingos de prata
Caem em todo lugar.
É Jesus!
Reluzindo nosso olhar.

Louvemos ao senhor
Que viveu um poema de dor!
Sejamos sinceros, fraternos
Façamos um natal com amor.

Um espírito amigo

(Colaboração: Joana Darque - Escola Espírita Pedro Carneiro)

sábado, 3 de dezembro de 2011

Porcelanas chinesas


Realizávamos habitualmente aos sábados, pela manhã, a campanha do quilo; a título de preparação, líamos trecho de O Evangelho Segundo o Espiritismo e das normas da campanha. Esta atividade ocorria regularmente na sede da Casa dos Humildes em Recife.

Contávamos com a participação de uns quatro ou cinco voluntários, dentre os quais o Sr. Elias Sobreira, que à época do relato que vou apresentar, tinha pouco menos de setenta anos, eu com dezessete anos e outros amigos que compareciam eventualmente.

O Sr. Sobreira normalmente dirigia os trabalhos; para prevenir uma eventual falta em decorrência de instabilidades em sua saúde e orientar eventual substituto, mantinha sobre a  mesa de reuniões um roteiro da parte preparatória, que era mais ou menos assim:

02 min prece inicial
03 min leitura de O Evangelho Segundo o Espiritismo
10 min comentário do trecho lido
03 min leitura dos Dez Mandamentos, Normas ou Benefícios da Campanha do Quilo
10 min de comentário
02 min prece para saída ao campo.

Além disso, Sr. Sobreira recomendava que, no caso de sua ausência, qualquer um de nós poderia dirigir a reunião.

Particularmente me sentia preocupado, tenso, com a possibilidade de dirigir uma reunião que vinha sendo conduzida por um grande representante do Espiritismo, um quase que iluminado.

No fundo desejava que nosso orientador nunca adoecesse, assim não passaria pela contingência de ter que dirigir a campanha do quilo.

Um belo dia, cheguei uns vinte minutos antes do início da preparação. Encontrava-se no local uma senhora pertencente a elevada classe econômica. Nosso dirigente ainda não havia chegado. Entabulei um diálogo com a nova colaboradora. A conversa enveredou por comentários acerca da enchente que havia assolado Recife no ano de 1975. Vários bairros de Recife sofreram severas perdas. As águas dos Rios Capibaribe e Beberibe que cortam a capital pernambucana, receberam volumes de água muitas vezes superiores às capacidades de suas calhas. Muitas casas foram invadidas pelas águas que atingiram a altura de até dois metros. Muitos perderam todos os seus pertences, móveis, roupas, eletrodomésticos.... Nem pobres nem ricos foram poupados.

A senhora apresentava-se chorosa com as perdas decorrentes da invasão de sua rica residência pela fúria das águas. Relacionava os bens que perdera; tapetes, móveis caros, roupas, etc. Queixava-se com ênfase da destruição de suas porcelanas.... chinesas, que representavam um valor especial para ela. Ao referir-se às porcelanas, a voz ganhava uma entonação dramática. Reclamava, reclamava. Enquanto ela falava, eu consultava o relógio. Pontualidade era uma das exigências da campanha do quilo, como ensinava o Senhor Sobreira.

Enfim o relógio indicava 08h00min, solicitei à vítima da perda das porcelanas chinesas que interrompesse os comentários para iniciarmos a preparação para a campanha do quilo.
Após a prece, como de costume, abrimos aleatoriamente o Evangelho Segundo o Espiritismo e “caiu” no Capítulo XVI item 9 – “A verdadeira propriedade”. Tivemos a honra de ser brindados com a mensagem do eminente espírito Pascal, matemático e filósofo francês.

Além de sábia e bela, a mensagem foi surpreendentemente oportuna. Era uma réplica admirável às queixas da matrona injuriada.
O texto, a um só tempo curto e imensamente significativo, entre outras considerações, ensina:

“O homem só possui em plena propriedade aquilo que lhe é dado levar deste mundo. Do que encontra ao chegar e deixa ao partir goza ele enquanto aqui permanece. Forçado, porém, que é a abandonar tudo isso, não tem das suas riquezas a posse real, mas, simplesmente, o usufruto. Que é então o que ele possui? Nada do que é de uso do corpo; tudo o que é de uso da alma: a inteligência, os conhecimentos, as qualidades morais. Isso o que ele traz e leva consigo, o que ninguém lhe pode arrebatar, o que lhe será de muito mais utilidade no outro mundo do que neste. Depende dele ser mais rico ao partir do que ao chegar, visto como, do que tiver adquirido em bem, resultará a sua posição futura. Quando alguém vai a um país distante, constitui a sua bagagem de objetos utilizáveis nesse país; não se preocupa com os que ali lhe seriam inúteis. Procedei do mesmo modo com relação à vida futura; aprovisionai-vos de tudo o de que lá vos possais servir." (O Evangelho Segundo o Espiritismo – Federação Espírita Brasileira – Tradução de Guillon Ribeiro) 

Quantas lições poderiam ser deduzidas desse episódio! Como duvidar da presença de seres invisíveis que nos assistem e interferem nas nossas vidas?  Que espíritos superiores dedicados à educação espiritual dos homens influenciaram a escolha da mensagem?

A campanha do quilo conta com a assistência dos benfeitores espirituais, a participação na reunião preparatória da campanha é essencial para que possamos desempenhar um trabalho com energia suficiente para portarmo-nos de acordo com as lições do Cristo. É na leitura e meditação do Evangelho que haurimos capacidade de ter paciência, tolerar, amar e perdoar.

Ao ouvir a mensagem, a nossa amiga não mais se queixou das perdas. Realizamos a campanha sem falar sobre o assunto. A lição tocou o coração. 

Isoláquio Mustafa Filho

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

DICA DO QUILO - II - Reunião preparatória

No artigo anterior, DICA DO QUILO, discorri sobre a reunião preparatória da Campanha do Quilo e sobre o respectivo roteiro prescrito por Elias Sobreira. Agora vou enfatizar a importância da reunião preparatória e alertar algumas instituições espíritas para o risco de perda de especialidade do tema "preparação para a Campanha do Quilo".

Certos grupos têm adotado o critério de fundir a reunião preparatória da Campanha do Quilo a reuniões público-doutrinárias espíritas. Tais reuniões doutrinárias que, para os propósitos gerais do Espiritismo, são de elevado valor, não possuem a objetividade, as instruções específicas para as pessoas que participarão das atividades de pedir para os necessitados em plena praça pública.

A Campanha do Quilo requer uma reunião específica como preparação. Nesses reuniões tratar-se-á de temas predominantemente morais, dos ensinos de Jesus que enfoquem a questão comportamental. Tratar-se-á também das melhores atitudes dos trabalhadores da campanha do quilo. Alertar-se-á para atitudes inadequadas, instruir-se-á os novatos e os veteranos com base nos Dez Mandamentos da Campanha do Quilo, nos Benefícios e nas normas da Campanha.

Os legionários, terão oportunidade, diferentemente das reuniões doutrinárias, de fazerem comentários breves sobre o Evangelho Segundo o Espiritismo e sobre os textos da campanha do quilo mencionados no parágrafo anterior.

Nesses instantes que precedem as atividades nas ruas, os espíritos orientadores da campanha inspiram os participantes no momento em que estejam usando a palavra e expõem conceitos adequados ao esclarecimento dos participantes.

Recomendações de elevado teor filosófico-moral, muitas vezes, são e transmitidas por pessoas, algumas vezes, de poucas letras. É tocante observar homens, mulheres, jovens, senhoras e senhores de todas as classes sociais expressarem os mais puros conceitos cristãos.

Sente-se um ambiente psíquico confortador. As baterias espirituais recarregam. Os amigos espirituais aportam fluidos específicos para que o trabalho seja desenvolvido com êxito, fundamentado nos princípios do Amor, da Humildade, da Paciência, do Perdão.

Concluímos que não se deve suprimir, nem mesmo fundir a reunião preparatório com outra reunião doutrinária que ocorra no mesmo instante, em outras dependências da instituição.

Por outro lado, entende-se porque é dever número um do legionário comparecer pontualmente aos trabalhos da campanha.

Aqueles que comparecem sistematicamente atrasados correm maiores riscos de reagirem de maneira destoante dos ensinos cristãos em situações difíceis e delicadas.